Enclave no Senegal e uma das menores nações africanas, Gâmbia tem um formato incomum: com terras circundando o rio que dá nome ao país, são pouco mais de 300 km de comprimento e menos de 50 km de largura. E foi no pequeno litoral que baseamos nossa estadia.
Nossa primeira parada no país foi na capital, Banjul. Adotamos, desde a entrada na Mauritânia, a prática de reservar um hotel para a primeira noite no novo país, tanto para informar os oficiais da fronteira, caso perguntem, quanto para chegar com um destino certo, já que a viagem pode durar mais do que imaginávamos. E ainda bem que fizemos isso.
Informações práticas*:
- Média preço almoço: 462,50 dalasi (R$ 41)
- Média preço jantar: 550 dalasi (R$ 49)
- Média preço hospedagem: 1.600 dalasi (R$ 143)
- Deslocamentos: ferry, táxi
- Visto: emitido na entrada do país por 50 euros. Saiba como funciona
- Dica: as pessoas abordam os estrangeiros com bastante frequência e ênfase
* valores para dezembro de 2022 para duas pessoas
Banjul
Ao descer do ferry que liga Barra à capital, tivemos que andar pela região do porto ao entardecer. Enquanto comerciantes fechavam suas lojas, surgiu aquela pequena tensão, pois, no Brasil, as ruas em volta de portos e rodoviárias não costumam ser das mais seguras à noite.
Não havia muitas opções nos aplicativos de hospedagem, então ficamos no menos caro, o enorme Assaraya Atlantic Hotel (2.805 dalasi/R$ 250) —fãs de “O Iluminado” gostarão de lá. Bem acima do nosso orçamento, o local tem muitas comodidades, como quarto com sacada, piscina e bar/restaurante. Apesar disso, o preço da comida não era exorbitante —o combo pizza + chope + refrigerante saiu por 700 dalasi (R$ 62,50).

O hotel fica na rua Marina Parade e, mesmo esta sendo paralela à Independence Drive, uma das principais vias da capital, não é das mais convidativas. Tivemos que sair à noite para sacar dinheiro, e a região não tinha iluminação pública. O mesmo acontece na avenida Ecowas, a Wall Street gambiana. Lá estão concentradas as principais agências monetárias, além do Banco Central, e estava tudo escuro. O que nos deixou tranquilos na hora de buscar um caixa eletrônico que permitisse um grande saque foi a quantidade de militares do lado de fora do órgão público e os vigias bancários.
O hotel caro e o visto inesperado na fronteira deixaram um rombo no nosso orçamento, então resolvemos partir para uma cidade mais barata. Mas antes passeamos por Banjul, para saber o que a cidade oferece ao turista. Na nossa pesquisa na internet, comprovada pela caminhada, vimos que não há muitas opções.
O Museu Nacional de Gâmbia estava fechado quando passamos por lá, mas, pelos relatos na internet, parece ser um bom passeio. Na lista do que ver, há o Arco 22, um grande monumento na saída da capital, ao lado de uma arquibancada que dá para a rua, onde o presidente faz discursos. A uma pequena caminhada está a praia, onde é comum ver pessoas se exercitando ou jogando futebol.

Serekunda
Escolhemos ir para Serekunda após pesquisar preços de hospedagens, já que os de Banjul eram muito caros. Tentamos chegar à maior cidade gambiana de ônibus, mas a espera de 50 minutos no ponto foi infrutífera. Apelamos, então, a um táxi informal (25 dalasi a pessoa/R$ 2,20) até Westfield, de onde caminhamos 4 km até nossa hospedagem.
Os bangalôs do Leybato Beach Hotel (1.500 dalasi/R$ 133,50) são simples, com uma pequena varanda e muitas plantas em volta, o que torna o cantar dos pássaros uma presença constante.

No entanto, o que realmente nos motivou é a localização: a hospedagem fica na beira do mar. Há várias mesas cobertas com telhado de palha, além de redes, que nos fazia passar o dia contemplando o oceano Atlântico. Também há ali um restaurante, com preços mais acessíveis —os pratos saem a 400 dalasi (R$ 36).
Serekunda e Bakau, uma cidade colada, oferecem alguns passeios como a piscina de crocodilos Kachikally, onde é possível ver os animais bem de perto —há também um museu no espaço—, e o Parque Nacional Bijilo, morada de macacos. Não fizemos nenhum deles, porque aproveitamos a estadia para escrever para o blog e ler, além de vários mergulhos.
Abordagem aos estrangeiros
Nosso período em solo gambiano foi curto, de 4 dias, mas deu tempo de ver como os nativos abordam com insistência os estrangeiros. Você pode estar andando na rua, tranquilamente, e escutar alguém te chamando aos gritos ou com sons que no Brasil usamos para chamar cachorro. Também é comum que a pessoa te pare para fazer propaganda de algo.
No hotel em Serekunda, um gambiano se aproximou da gente, enquanto comíamos na nossa varanda, e falou sobre passeios na região. Ele frisou que seria de graça. Agradecemos as informações e ele perguntou quando poderíamos ir —logo respondemos que depois veríamos. Algumas horas depois, o homem voltou a nos perguntar sobre quando faríamos o passeio com ele.
Imaginamos que esse comportamento é fruto de muitos estrangeiros endinheirados se hospedarem nos endereços caros da região. Assim, têm gordos orçamentos para passeios, o que não é nosso caso.




















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