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Com campervan de Melbourne a Brisbane, vimos a Austrália que encanta por belas praias


Definitivamente tomamos gosto por ter uma casa sobre rodas –aliado ao fato de termos ganhado um outro concurso que garantiu o aluguel gratuito do veículo. E desta vez até com banheiro próprio!

Tudo começou com uma postagem da Indie Campers que daria para dez sortudos a barganha, com datas e locais específicos para retirada e devolução. Não levamos o concurso, mas eles decidiram premiar quem participou. Teve muita desorganização e vaivém, mas isso fica para o fim.


Informações práticas*:
  • Seguro da campervan: AU$ 446 (R$ 1.785)
  • Total de combustível: AU$ 525,50 (R$ 2.035)
  • Média camping: AU$ 35 (R$ 131,50)
  • Média mercado: AU$ 26 (R$ 87,50)
  • Visto: brasileiros precisam de visto
  • Moeda: dólar australiano (AU$ 1 = R$ 3,83)
  • Dica: O aplicativo CamperMate reúne ótimas dicas para quem viaja pela Austrália, como campings gratuitos e chuveiros com água quente.

* valores para agosto de 2024 para duas pessoas


O que interessa agora é a viagem de nove noites e dez dias que fizemos entre Melbourne e Brisbane, pela costa da Austrália que nos encantou com suas belas praias. Não que a Great Ocean Road, estrada da costa sul que também percorremos de campervan, não tenha belas paisagens do tipo, mas essa parte, por ser mais quente quanto mais ao norte se vai, tem um charme à parte.

O roteiro Melbourne-Brisbane

São 1.776 km que separam as duas cidades, pelo caminho mais rápido –mas é lógico que não fomos por ele (mapa detalhado abaixo). Aproveitamos algumas das estradas cênicas e turísticas muito bem sinalizadas por placas e atravessamos pequenas cidades que pareciam respirar o estilo de vida praiano.

No entanto, como eram muitos quilômetros para percorrer, o tempo sobre rodas aumentou consideravelmente, e muitas vezes chegamos à noite aos campings. Exceto em Sydney, optamos sempre pelos gratuitos, já que tínhamos a autonomia de ter banheiro próprio, com chuveiro (ainda que a maior parte tivesse banheiro seco).

E, assim como na Great Ocean Road, teve aquela mistura de floresta e trilha com as praias, que, mais uma vez, apreciamos só a paisagem, pois o vento constante e as gélidas águas eram pouco convidativas.

De Melbourne, fomos direto para as Agnes Falls, aonde chegamos já no fim do dia. O plano era conferir antes o Wilsons Promontory National Park, mas só pudemos pegar a campervan mais tarde, o que atrapalhou nosso itinerário. À noite, paramos na 90 Mile Beach, onde precisamos tomar cuidado com os cangurus na estrada, mas dormimos ouvindo o barulho do mar.

Na mesma região, conferimos o Gippsland Lakes Coastal Park, um parque nacional com diversas trilhas tanto para a praia quanto para os lagos que ali se formam. Muita estrada e uma parada em Genoa para dormir, chegamos a Eden, onde a ideia era ver baleias, mas elas estavam tímidas. E nós ficamos encantados com uma prainha escondida de água cristalina que não fazemos ideia de como se chega.

Naquele dia, passamos por Bermagui e Narooma, cidades interessantes, mas todas as que ficam na costa são muito parecidas entre si. Nosso pouso foi no Bodalla Forest Rest Area, que, apesar de ser ao lado da estrada, tem uma trilha em loop que leva até o rio e foi bom para dar um gás no dia seguinte, que foi de muita estrada.

O principal passeio era Jervis Bay, que ganhou o prêmio com a água mais azul-turquesa que vimos no caminho. Na cidade fica o parque Booderee, o único com entrada paga por onde passamos. Lá, é possível passar a noite, mas pagamos os AU$ 20 (R$ 76,50) cobrados para a visita diária. O objetivo era ver o farol Cape St. George e a praia Murrays.

O farol, aliás, tem uma história muito interessante. Ali não era o melhor lugar para se construir do ponto de vista da navegação, mas o com acesso mais fácil por terra. Ergueram, mas logo tiveram que desativar. Ainda assim, a construção causava problemas, principalmente em noites de lua cheia, já que a lua refletia na claridade das pedras, desorientando os navegadores. Com balas de canhão, destruíram parte dele, o que vemos até hoje.

Além disso, o local é um prato cheio para os amantes do suspense e do terror. Diferentes mortes, de maneiras diversas, integram a história do farol. Assunto para, quem sabe, um futuro conto.

Já a Murrays é possível chegar em uma curta trilha (de 200 metros), e a cor da água é de se ficar admirando por horas. Tivesse um pouquinho mais calor, com certeza teríamos passado a tarde ali. Isso são apenas duas atrações do parque, que tem muito mais a oferecer, incluindo trilhas para se percorrer durante um dia inteiro.

Mas se você não estiver a fim de pagar para ver a água azul-turquesa de Murrays, a praia Hyams de Jervis Bay não perde em nada para ela. Aproveitamos só um pouquinho de lá, pois já tínhamos que partir para Sydney, a maior cidade australiana (vamos falar dela num próximo post).

Depois de três noites na cidade, nos enfiamos de novo no meio do mato. Quer dizer, mais ou menos. Fomos conferir as Blue Mountains, atração para quem curte a vida ao ar livre (como os australianos adoram) que fica a duas horas de Sydney. É outra atração enorme, com muitas trilhas, de diferentes níveis e duração. E vamos confessar: estávamos cansados. Então fomos em uma bem curtinha, apreciamos a vista da montanha –e o forte vento– e partimos para um dos poucos campings gratuitos da região.

Se ficamos tão perto das Blue Mountains para passar a noite, pagamos o preço com muitas horas de estrada no dia seguinte. Rapidamente conferimos Shepherds Hill, em Newcastle, passamos por Forster, e vimos a praia do Farol, em Port Macquaire, seguindo uma das estradas turísticas para fugir da autoestrada. Depois, mais chão até o Roses Park Rest Area, que ficava mais afastado da costa.

Para o dia seguinte, ao menos, ficamos coladinhos em Coffs Harbour, onde aproveitamos um pouco do Solitary Islands Marine Park, que tem praia para brincar com cachorro e uma boa orla para a prática de exercícios, e o Forest Sky Pier, para ver o belo litoral lá do alto. Nesta região fica ainda o Solitary Islands Coastal Walk, para quem tem tempo para uma longa caminhada.

Não era nosso caso, então partimos para Byron Bay, que figura entre as praias mais famosas da Austrália. Nós ficamos apenas pela região de Main Beach, onde almoçamos com o pé na areia (mas sem caipirinha ou cervejinha), demos uma andada por lá e vimos surfistas e banhistas.

Na parte da cidade, apesar de ser parecida com as demais dessa região, o clima nos pareceu um pouco diferente e a vibe praiana pareceu se sobressair –talvez seja influência da surfista que passou de bicicleta com a prancha do lado às quatro da tarde de uma terça-feira. Aproveitamos um dos poucos cafés que ficavam abertos até as 17h para carregar nossos computadores e seguimos caminho para o último camping da viagem.

De longe, esse foi o com a pior infraestrutura. Tivemos a companhia de uma outra van e dois carros de barraca no teto. Apesar de ser à beira de um rio, era um recuo da estrada e sem banheiros. Mas o ruim mesmo foi ver, às 6h30, duas camionetes dando cavalinho de pau para jogar poeira e pedrinhas para cima dos carros (ainda bem que estávamos mais afastados). Ainda bem que foi um caso pontual.

Chegamos a Brisbane e era hora de esvaziar o banheiro do carro (só usamos para xixi). Os dejetos ficam armazenados numa caixa com químicos e, como pouco usamos, ele aguentou a viagem toda. Paramos em um parque (que parecia ter moradores permanentes em barracas), mas nos disseram que estava cheio. Partimos, então, para outro parque e foi sucesso. Entregamos a van (sem nenhum arranhão) e, depois de quase 2.500 km rodados, voltamos à vida de transporte público, em um trem com destino a Gold Coast.

Sobre a Indie Campers

Como falamos, a campervan foi fruto de um concurso da Indie Campers que, na verdade, não ganhamos. Eles abriram um sorteio no Instagram para dez pessoas, mas, após a falta de procura, nos enviaram mensagem. Como tanto eu quanto o Faraó recebemos, creio que todos os participantes foram agraciados. E foi aí que o caldo entornou (na nossa teoria, claro).

Nós enviamos o e-mail respeitando as condições (não alterar datas nem local de retirada e devolução e enviar os dados solicitados). Eles responderam às nossas dúvidas e seguimos com a reserva. Recebemos a seguinte mensagem: “em alguns dias vamos enviar a confirmação”.

Uma semana depois, nada. Entramos em contato novamente apenas para descobrir que, segundo os termos e condições (que havíamos lido), esse sorteio era em ordem de chegada, e alguém chegou na nossa frente. O que pegou para nós foi que, em nenhum momento nos e-mails, foi dito que havia uma dependência disso. Pior: havíamos lido os termos e condições mais de uma vez, e isso não estava escrito.

Dá para ficar ainda pior? Dá. Eles alteraram o site, então os termos que havíamos lido não estavam mais lá. Havia ainda algumas opções para nós, mas todas com preços (módicos, mas ainda assim com alguma diária). Escolhemos Melbourne para Brisbane, reiterando a nossa insatisfação e que só aceitaríamos se fosse seguindo as regras do concurso. Ou seja: de graça.

Finalmente conseguimos a confirmação da reserva! Com as datas erradas. Eram ainda aquelas primeiras que passamos, quando ainda não tinha nenhuma confusão. Mas nossos planos mudaram diante desse vaivém e deixamos bem claro quando confirmamos a campervan quais eram as datas.

Mudaram, mas a contragosto e dizendo que não poderia mais ser modificado. Ótimo, retirada confirmada para sábado, 24. Uma semana depois da confirmação, mais uma mudança: a filial não funciona aos sábados. Ainda bem que não tínhamos comprado nenhuma passagem ainda. Optamos, por fim, pela segunda, 26 (mas eles queriam na sexta, 23).

Mudaram, de novo, mas só porque o erro foi deles. Enfim, tudo certo na retirada, funcionária simpática etc. Mas ainda houve alguns erros na explicação, como dizer que o chuveiro elétrico esquentava na hora (demorava 30 minutos, segundo o atendimento por WhatsApp) e que as tomadas funcionavam sem estarmos conectados a uma fonte de energia. Nos reorganizamos um pouco diante disso, com mais paradas para carregar equipamentos, mas, de resto, foi sucesso.

Finalmente.

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