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Sri Lanka atrai cada vez mais turistas com montanhas e praias paradisíacas


O novo queridinho da Ásia já tem nome: Sri Lanka. Antes de chegarmos ao país, não eram poucos os conteúdos mostrando suas praias paradisíacas, verdes montanhas com plantações de chás e aventuras de tuktuk. Claro que isso só aumentou nossa vontade de ir para lá, conferir por que tanto burburinho.


Informações práticas*:
  • Média hospedagem: Rs 11.111,76 (R$ 213,50)
  • Média café da manhã: Rs 2.670 (R$ 52,50)
  • Média almoço: Rs 3.400 (R$ 68,50)
  • Média jantar: Rs 4.604,50 (R$ 106)
  • Visto: brasileiros precisam de visto
  • Moeda: rupia do Sri Lanka (R$ 1 = Rs 49,73)
  • Dica: estrangeiros podem pilotar tuktuks no país, e o trâmite para obter a carteira de habilitação sri-lankesa parece ser bem fácil. A Tuktuk Rental, além de ajudar o turista na empreitada, ainda oferece uma boa malha de veículos.

* valores para abril de 2025 para duas pessoas


A capital Colombo

O nome da capital já deixa claro a influência dos portugueses, que aportaram no país lá no início do século 16. Engana-se, porém, quem acha que se trata de uma homenagem direta ao navegador Cristóvão Colombo.

Há algumas teorias para sua origem e todas têm os portugueses transformando expressões do dialeto local para Colombo. Uma delas diz que pode ter derivado do nome cingalês “kolon thota”, que significa porto no rio Kelani. Outra a liga a “kola-amba-thota”, ou porto com folhosas mangueiras. Ou ainda “kolamba”, uma palavra do cingalês antigo para forte ou porto.

Nada disso, porém, descobrimos em algum museu na capital. Apesar de ser uma cidade moderna e interessante, com cafés, restaurantes e shoppings, as atrações turísticas são poucas —isso vindo de uma sri-lankesa conhecida da Pati que encontramos num dos charmosinhos cafés por lá.

Entre essas poucas atrações estão os templos Gangaramaya e Gangaramaya Seema, a região de Pettah, com seus mercados e uma mesquita vermelha, e o Galle Face Green, um parque à beira-mar.

Nossa visita por lá foi fortemente afetada por dois fatores: a Pati passando muito mal na chegada, ficando de cama por um dia, e o ano-novo budista na saída do país. Vimos, então, os templos pelo lado de fora (em parte porque o Gangaramaya Seema era com entrada paga) e acabamos pulando o Galle Face Green.

Como ficamos na região de Pettah, vimos de perto suas ruas fervilhantes e, de um tuktuk, admiramos a mesquita. Apesar de uma maioria budista, já que 70% da população segue essa religião, o país reúne ainda hindus (13%), muçulmanos (10%) e cristãos (7%).

A região que mais gostamos, porém, foi nos arredores do parque Viharamahadevi, onde se concentram a maioria dos cafés com internet, um combo importante para nós. Há também restaurantes chiquezinhos e locais, mas todos estavam fechados em meados de abril, para as celebrações do ano-novo.

Praias paradisíacas

Sri Lanka é uma ilha entre o Mar das Laquedivas (o mesmo das Maldivas) e a Baía de Bengala, então praia é o que não falta. É até difícil escolher para onde ir com tantas opções, principalmente no litoral sul.

Acabamos em Hikkaduwa, uma indicação da suíça Alina, que conhecemos mergulhando na Malásia. Ela passou um mês por lá trabalhando em uma loja de mergulho, e fomos com isso em mente. O orçamento, no entanto, apertou, e acabamos só curtindo a cidade —que, infelizmente, nos recebeu com um céu cinza e algumas pancadas de chuva.

Apesar de pequeno, o país tem diferentes temporadas de monções. A região nordeste enfrenta o período chuvas entre setembro e março, enquanto o sudoeste, onde fica Hikkaduwa, de maio a agosto. Estávamos em abril, o que seria pré-temporada, mas ainda assim é um dos mais chuvosos, junto com maio, outubro e novembro.

A previsão do tempo até apontava sol para a semana seguinte, mas nossos planos para o país não previam um período tão grande na cidade. Assim, tivemos só um gostinho do que ela oferece. Em primeiro lugar, muitos russos. São tantos que quase todas as lojas e restaurantes têm placas em cirílico.

A praia tem áreas de mar aberto com ondas e outras mais tranquilas, bons para passar um tempo aproveitando as barraquinhas de bebidas. Há alguns vendedores de passeios, mas eles não são muito insistentes.

Um dos pontos altos são as tartarugas que circulam na parte rasa. Um dos pontos baixos são sri-lankeses vendendo algas para turistas alimentarem o tempo inteiro os bichos, cercando, tocando e tirando muitas selfies. Nem conseguimos vê-las direito, até para não aumentar as pessoas em volta delas.

Aproveitamos também os cafés locais e ao estilo ocidental que pipocam por lá, assim como os restaurantes. A comida não era tão em conta, mas o preço da hospedagem compensou, já que pagamos US$ 6,95 (R$ 44,21) por um quarto em um hotel bem agradável. Só era um pouco afastado do centrinho, mas nada que 10 minutos a pé não resolvessem.

Mas isso é só Hikkaduwa. Há diversos outros pontos como Galle, a maior cidade da região, Weligama, Batigama e por aí vai.

As montanhas e o trem Ella-Kandy

Da praia, subimos para as montanhas sri-lankesas em uma jornada que daria gosto em quem quer viver “o real Sri Lanka”. De Hikkaduwa, pegamos um ônibus para Ambalangoda (77,50 rupias sri-lankesas/R$ 1,49), onde subimos em outro coletivo até Ella (950 rupias sri-lankesas/R$ 18,26).

De carro, o trajeto de 230 km pode ser feito em cerca de 4 horas —e nós levamos o dobro. Em parte pelas paradas para subir e descer passageiros, em parte porque ele contornou boa parte do litoral para só depois ir em direção ao interior. E o ônibus foi o tempo todo cheio, então ir até Ambalangoda pegar no ponto inicial foi um acerto para garantir nosso lugar sentado.

Ella é uma charmosinha cidade de 2.000 habitantes no centro do país. Famosa pelas plantações de chás e trilhas, no centro reúne cafés, restaurantes e bares, com direito a karaokê e música ao vivo. Um dos pontos mais famosos é a Ponte dos Nove Arcos, por onde passa o trem entre Badulla e Ella. Em uma rápida caminhada em meio ao verde chega-se ao movimentado ponto —tem tanta gente que não tem como errar.

A cidade também costuma ser o ponto final de um trem cênico a partir de Kandy. Fizemos o sentido contrário e foi um acerto. Como é mais prático ir de Colombo até Kandy de trem e de lá seguir para Ella, esta rota costuma ficar cheia e as passagens esgotam rápido.

Já no sentido Ella-Kandy, compramos os bilhetes dois dias antes da viagem, e ainda havia bastante vaga disponível na segunda classe. Mas vamos destrinchar essa rota.


O que você precisa saber sobre o trem entre Kandy e Ella
Horários

A depender do dia, pode ter de dois a três horários, sendo um bem cedo, perto das 7h, outro perto das 9h e um último no fim de tarde, perto das 17h. Viajamos em um domingo, e o mais cedo estava quase cheio.

Passagens

São três classes, normalmente, e a primeira é a única com o ar-condicionado. Turistas costumam ir na segunda ou na terceira, para aproveitar janelas e portas abertas para fazer muitos vídeos e fotos (e foi o que fizemos também).

A segunda classe possui configuração 2+2 e a terceira, 3+3, e é possível viajar com assento garantido ou não. A diferença de preço é significativa, pois na nossa passagem de Ella para Colombo pagamos 4.200 rupias sri-lankesas (R$ 83,08) na reserva da segunda classe, enquanto sem reserva saía por 900 rupias sri-lankesas (R$ 17,30). O problema é não ter assento garantido e acabar tendo que ir em pé. No sentido Kandy-Ella, isso é bem comum.

A compra da passagem com reserva pode ser feita on-line, mas você não escolhe o assento, é aleatório (demos sorte de ganhar uma janela de cada lado). Já sem reserva só pode adquirir nas estações.

Trajeto

No sentido Ella-Kandy, o melhor é sentar do lado direito no sentido do trem, que garante mais vistas. Mas o esquerdo também tem sua cota, mais perto de Kandy, de belíssimas plantações de chás.

São cerca de sete horas de viagem. Na segunda e terceira classe, portas e janelas ficam abertas e, sim, você pode se pendurar. Mas fique na classe que você adquiriu o bilhete, pois há conferência. Na segunda classe há ainda serviço de bordo pago, então almoço e lanchinhos estão garantidos —pagamos 1.000 rupias sri-lankesas (R$ 19,22) por uma marmita de arroz com vegetais.

Se você quiser passar pela Ponte dos Nove Arcos, terá que ir a Badulla, pois ela não fica no trecho entre Kandy e Ella.


Com bilhetes no celular, embarcamos na estação de trem de Ella, assim como tantos outros turistas e alguns locais em um domingo de manhã. O dia era de sol, o que garantiu paisagens ainda mais bonitas. Tem algo no verde do Sri Lanka difícil de descrever: ele é realmente muito verde. Lembra um pouco o do Japão e o da Coreia do Sul, que parecem cintilar.

Demos a sorte de ir na janela os dois, cada um de um lado, já que os assentos são aleatórios. Garantimos, assim, vistas em diferentes momentos. E também nos penduramos para fora das janelas e portas para garantir uns cliques diferentes, como fazem praticamente todos os turistas.

Havia alguns assentos vazios nas cerca de sete horas entre Ella e Kandy, mas, de lá até Colombo, fomos só nós, um outro casal e um senhor. Apreciamos o pôr do sol no balanço do trem, e eu não dormi nenhuma vez, podendo aproveitar assim a paisagem (costumo dormir em quase qualquer veículo, menos aviões).

Coroamos nossa chegada a Colombo com um belíssimo nascer de uma lua laranja sobre os arrozais da região da capital. Coisa de cinema e que nenhuma câmera que temos poderia registrar, ficando apenas na memória.

Encerramos assim nossa breve passagem pelas montanhas do Sri Lanka, mas há outros pontos interessantes, como Nuwara Eliya.

Vida selvagem

Já adiantamos que os animais que vimos se limitam a macacos na região de Ella e de um roedor não-identificado perto de Colombo. Os famosos elefantes, infelizmente, só vimos um, domesticado, no caminho de Hikkaduwa a Ella.

O Sri Lanka, porém, também é um destino de safáris, principalmente a cidade de Kataragama —aonde se chega de ônibus. Os parques nacionais reúnem leopardos, búfalos, elefantes e crocodilos, além de muitos pássaros.

Os elefantes, no entanto, podem ser vistos fora dessas reservas. A estrada B35 é famosa por ter os bichões circulando por lá (parece até ter um que “cobra” pedágio em forma de alimentos). Um dos passeios que turistas costumam fazer, aliás, é alugar um tuktuk para circular pela região.

Nós vimos veículos da empresa que faz esse serviço, a Tuktuk Rental, em Ella, provando que é realmente bem comum. Para dirigir um desses veículos que circulam por ruas de diferentes países da Ásia é preciso obter uma habilitação especial, e a empresa ajuda com toda a documentação.

Com tanta coisa legal ainda por ver em Colombo e outras regiões do país, a vontade de voltar já começou antes mesmo de partirmos.

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