A terceira temporada da nossa volta ao mundo, em que viajaremos de carro pela América, começa em março de 2026, mas a preparação já vem acontecendo desde agosto do ano passado.
A ideia em si faz parte do projeto original, de 2015, mas mudamos de planos algumas vezes durante nossa passagem por África, Ásia e Oceania. Com a perspectiva de trabalharmos como guias auxiliares do Terra Adentro —e, consequentemente, o salário—, rodar com veículo próprio por nossos países vizinhos voltou a ser uma alternativa. E o melhor de tudo: com nosso pug de 9 anos, o Café.
Escolha do carro
Assim que finalizamos a segunda temporada, por Ásia e Oceania, e retornamos ao Brasil, passamos a procurar o carro. Antes de viajarmos pelo mundo, tínhamos e adorávamos o nosso Up, mas o seu tamanho diminuto e o fim de sua produção nos desestimularam a comprar outro exemplar.
Em meio a relatos e pesquisas, o consenso é que marcas japonesas são as mais indicadas para essa empreitada pelo continente, por ser relativamente fácil e barato obter peças. Toyota, Mitsubishi e Nissan estão no topo da lista. Como a primeira tende a ser muito cara, buscamos modelos da segunda.
Para escolher o carro, levamos em conta o tamanho interno, já que, além de adquirirmos uma barraca de teto, queríamos ter como plano B dormir dentro. E, por desejarmos um veículo mais alto —não necessariamente 4×4, pois o objetivo é nos concentrarmos em estradas asfaltadas—, passamos e buscar uma Pajero, entre as variações Full, Dacar e Sport.
Outras questões a que nos atentamos foi o combustível e o câmbio. Caso pudéssemos escolher, preferiríamos um carro a gasolina, e não a diesel, já que a manutenção deste costuma ser mais cara. E também temos uma queda pelo câmbio manual, e não automático, pois estamos há anos acostumados ao sistema mais antigo.
A partir disso, olhamos modelos em Campo Grande, terra do Faraó, e Florianópolis, onde a Pati viveu boa parte da vida e cidade em que estão os nossos pertences. Após olharmos quase uma dezena de carros, encontramos uma Pajero Sport 1998, com 375 mil km rodados, por R$ 21 mil. Sim, um preço ótimo!
Renovação do carro
Se economizamos na compra, gastamos um monte na revisão. Foram 2,5 meses na mecânica e muitas peças, novas e usadas, adquiridas. Teve bico injetor, amortecedores, polias, correias, filtro de ar, entre muitos outros itens. Mesmo negociando o valor, gastamos R$ 33 mil para tentar deixar o veículo em dia —meses depois, desembolsamos outros R$ 4.000 em uma nova ida à oficina. Foi um rombo no orçamento.
Com o carro em dia, pudemos viajar pelo Brasil para fazer os lançamentos do nosso segundo livro, o “Aventuras Sem Chaves – Parte 2”. Enquanto isso, pesquisamos itens que consideramos essenciais para essa nova fase da nossa volta do mundo.

Se interessa pela Ásia?
O livro ‘Aventuras Sem Chaves – Parte 2’ traz relatos e crônicas da viagem por mais de 30 países do continente
A barraca de teto, por exemplo, estava no topo da lista. As maiores fabricantes brasileiras, no entanto, não estavam dispostas a fazer parceria, e contamos com a sorte de o Henrique e a Sabrina, fundadores do Terra Adentro, nos doarem o modelo que estava no Mochileiro, o Land Rover com que viajaram parte do mundo. Foi uma economia de mais de R$ 8.000.
Para instalarmos a barraca, procuramos alguns serralheiros em Floripa, até encontrarmos o Rafael, que aceitou a empreitada. O suporte/rack instalado foi útil também para prendermos um galão d’água de 50 litros (R$ 180) e dois de combustível, de 20 litros cada (R$ 543,42 ambos) —que ficam presos em um suporte também fabricado pelo serralheiro. Toda essa estrutura saiu por R$ 2.000.
Na sequência, fizemos um móvel sob medida (R$ 5.678) com a Camperize, empresa de Caraguatatuba (SP), criada pelo casal Ralf e Mari, que também viaja por aí e que sabe quais as prioridades para quem vive na estrada. Eles pensaram em nichos de acordo com nossos desejos, como uma geladeira e um fogareiro de duas bocas.
Por falar nisso, na parte de eletrodomésticos, compramos uma geladeira de 32 litros da Hent (R$ 1.700), um fogareiro da Etna/NTK (R$ 286) e uma estação de energia com placa solar da EcoFlow (R$ 5.057,10).
Na Decathlon, a meca de quem gosta de viajar, deixamos uma boa quantia: chuveiro portátil, sacos de dormir para -5°C, colchões de camping, travesseiros, mesa e cadeiras dobráveis, lanterna de cabeça, jogo de panelas e utensílios de cozinha.
É claro que a lista de compras não para por aí, e aí vieram itens menores, mas que consideramos que vão facilitar o dia a dia na estrada, tais como varal, régua, compressor de ar, miniventiladores, projetor.
E assim o possante foi ganhando a nossa cara e nos dando vontade de cair logo na estrada. Por essas e outras que ele se tornou o Teras, forma carinhosa pela qual muitos chamam o tereré, bebida típica de Mato Grosso do Sul e que ambos tomamos sempre que possível.














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