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Fronteira Brasil-Uruguai foi rápida e com pouca fiscalização


Foi dada a largada da terceira temporada da nossa volta ao mundo, pela América, em que pretendemos descer de Florianópolis até o Ushuaia, na Argentina, e depois subir para o Alasca, nos Estados Unidos. E tudo isso com o Teras, uma Pajero 1998, e o Café, o nosso pug de nove anos. A primeira fronteira dessa jornada, entre Brasil e Uruguai, foi muito fácil, e esperamos que seja um sinal de como serão as próximas.

Saímos de Florianópolis (SC), cidade que serve de base para nossos intervalos entre temporadas, em direção a Novo Hamburgo (RS), a fim de encontrar a Rosana e a Patrícia, duas amigas que a Pati fez na expedição do Terra Adentro para a Islândia.

De lá, seguimos pela BR-116 até Pelotas, onde compramos gás para o fogareiro, e depois pegamos a BR-471 para Chuí, a fronteira que decidimos atravessar para o Uruguai. Antes de passarmos pela imigração, aproveitamos para abastecer o carro com gasolina brasileira e em real, para não gastar com IOF numa transação internacional.

Fronteira Brasil-Uruguai

O prédio de imigração fica a 2 km de Chuí/Chuy e, assim que chegamos, um oficial nos parou e, ao saber que pretendíamos entrar no país e que ainda não tínhamos carimbado o passaporte, nos orientou a estacionar o carro e ir ao guichê resolver a burocracia.

Para um veículo viajar de carro pelos países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai), é obrigatório ter o Seguro Carta Verde, que cobre morte e danos causados a terceiros. Vale salientar que ele não arca com gastos em seu próprio bem. Fizemos o nosso com a Porto Seguro, válido por 60 dias (R$ 502).

Outra característica do Mercosul é que brasileiros, além de não precisarem de visto para entrar nos vizinhos, podem circular tanto com passaporte, quanto com RG ou CIN —diferentemente de como é no Brasil, a CNH não é aceita na fronteira como documento de identidade.

Por gostarmos de carimbos, fomos ao guichê de imigração com os passaportes brasileiros. Levamos também a PID (Permissão Internacional para Dirigir), o Seguro Carta Verde —antigamente era impresso num papel verde, de onde vem o nome, mas hoje em dia não se exige mais isso— e o CVI (Certificado Veterinário Internacional, necessário para pets) do Café, assim como ele.

Após uns dez minutos de espera, uma mulher nos atendeu e pediu, em espanhol e português, os documentos e a placa do carro, para registrá-lo. Veículos do Mercosul não precisam do TIP (Temporary Importation Permit), exigido de quem vem de fora dessas nações.

Com os passaportes carimbados, voltamos ao carro e passamos novamente pelo oficial que havia nos parado. Desta vez, ele perguntou para onde iríamos e se tínhamos o Seguro Carta Verde e o documento do cachorro —assim mesmo, em português. Dissemos que sim e mostramos ao sujeito, que mal olhou.

Na sequência, o oficial questionou se levávamos comida. Ao respondermos que apenas café fechado, pediu para olhar. Eu abri a geladeira e, após uma rápida olhada, nos liberou. Nem quis ver o nicho do móvel onde guardamos os itens de cozinha.

Há muitos relatos sobre a rígida fiscalização uruguaia na fronteira em relação a produtos frescos, como carnes, frutas e verduras. Por essas e outras que deixamos para fazer compras após passarmos pelos oficiais, para não termos nada retido. Infelizmente, La Coronilla, para onde fomos, é uma cidade muito pequena, assim como o mercado. Pelo menos conseguimos garantir macarrão e enlatados para o primeiro jantar ao ar livre dessa nova temporada, preparado em nossa casa sobre rodas.

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