A terceira temporada da nossa volta ao mundo começou de maneira bem diferente das demais —nas quais percorremos África, Ásia e Oceania de mochila das costas. Além de iniciarmos a jornada pela América por terra, a partir de Florianópolis, nossa equipe cresceu com a chegada do Teras, uma Pajero 1998, e a volta do Café, nosso pug de 9 anos, que ficou sob os cuidados da mãe do Faraó.
Assim, inauguramos uma nova frente neste site: a de informações de como viajar com um cachorro. Gostamos de brincar que ficaria muito fácil continuar com o mochilão. Afinal de contas, quase não precisamos de visto pelo continente e o idioma não é mais um desafio.
CVI
O CVI (Certificado Veterinário Internacional) é o principal documento de viagem do seu pet, independentemente da espécie ou raça. Quem emite, gratuitamente, é o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), mas a solicitação deve ser feita por um veterinário após uma avaliação —e este custo vai depender do profissional.
Cada destino terá algumas especificidades. De maneira geral, porém, o veterinário fará um exame geral para preencher o Atestado de Saúde AS-1, completará o formulário do CVI on-line e encaminhará a solicitação pela representação local do Mapa. O prazo para retorno é de 72 horas.
Nesta etapa, além da boa saúde, o profissional irá atestar a leitura do microchip (indispensável para viajar com seu pet) e a aplicação do controle parasitário de amplo espectro, que inclui agentes internos e externos, e listar as vacinações anuais (que devem estar em dia) —a da raiva é obrigatória.
Seu pet no Uruguai
No caso do Uruguai e da Argentina —já vamos explicar como os hermanos entram nesta história—, o pedido deve ser feito 9 dias antes da data da viagem e o documento é válido por 60 dias a partir da emissão.
O Uruguai exige também um teste negativo de leishmaniose, doença endêmica em algumas regiões do Brasil (inclusive em Campo Grande, onde o Café morou por três anos, mas ele passou ileso). Como estávamos em Florianópolis e o exame é feito em Belo Horizonte, agendamos a coleta para 24 de fevereiro. Como a validade é de 60 dias, tínhamos tempo hábil para a nossa viagem, prevista para 26 de março.
Já o CVI foi solicitado no dia 17 de março, sendo que o controle parasitário deve ser feito até 15 dias antes do pedido. Mesmo que tenhamos atrasado nossa saída em dois dias não houve problema quanto ao certificado, pois, como falado anteriormente, a validade para a Argentina é de 60 dias após a emissão —dentro desse prazo, inclusive, ele vale para retorno ao Brasil.
Ou seja, temos até 17 de maio para circular nos dois países, já que o documento foi emitido pelo Mapa em 17 de março. Os agentes da Vigiagro no aeroporto de Florianópolis, aliás, foram extremamente solícitos e sugeriram a emissão do passaporte.
Este documento deveria substituir o CVI no Mercosul, mas acaba valendo apenas como uma carteira de vacinação e controle parasitário —para nós, está valendo só para o Café ter um documento oficial com foto emitido pelo governo brasileiro.
E a Argentina nessa história? Para quem vai passar por várias fronteiras, como é o nosso caso, a recomendação é fazer a documentação de dois em dois países, sempre que possível. Além de economizar a consulta veterinária, facilita a burocracia. Assim, fizemos o pedido para a Argentina com trânsito no Uruguai. A validade, porém, é a do destino final, neste caso de 60 dias, e não há limite de tempo para essa passagem por terras uruguaias, além da do próprio CVI.
Entrar no Uruguai com um cachorro
Com todos esses documentos em mãos, além de todas as carteiras de vacinação e o atestado do microchip, partimos de carro para Chuy, que faz fronteira com a cidade homônima no Rio Grande do Sul.
Assim como a nossa entrada, a do Café foi muito tranquila. Ele foi junto para carimbar os nossos passaportes, voltamos para o carro e passamos pela fiscalização aduana e agrária. O fiscal perguntou, em portunhol, se toda a documentação do cachorro estava certa, pediu para ver o CVI, mas não olhou com afinco.
E assim Café cruzou sua primeira fronteira.














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