A dança dos jogadores senegaleses durante a Copa do Mundo de 2018, e que viralizou na edição de 2022, representa muito bem seu povo. Nas ruas e nos veículos do país há bastante música, e várias vezes a Pati acompanhava, com seu gingado, as canções ao ritmo de axé —ou algo bem semelhante.
Além da música, outra presença constante no cotidiano senegalês é a imensa quantidade de cores. Após viajarmos pelo norte africano, em que muitas mulheres usam roupas largas de tons escuros e que cobrem todo o corpo, no Senegal vimos muitos vestidos multicoloridos e vibrantes.
A cada lado que olhávamos, eram inúmeros tons de amarelo, rosa, verde… E, para combinar com os vestidos, que deixam os ombros e braços à mostra, há lenços ou turbantes, também vistosos.

As roupas masculinas não ficam atrás, pois eles gostam de vestir calças e camisas com a mesma estampa, multicolorida. Além disso, desde pequenos os meninos usam camisetas de time de futebol, principalmente da seleção senegalesa.
Por falar nos Leões de Teranga, como o time nacional é conhecido, o país deu muito suporte à sua seleção nesta Copa do Mundo. Em tudo que é canto estavam mensagens, seja em outdoors, seja nas garrafas d’água, com os jogadores sorridentes e, por vezes, com a taça nas mãos. E isso que entramos no país após o fim do torneio —o Senegal perdeu, nas oitavas de final, para a Inglaterra.
Mas se eles demonstram toda essa alegria por meio da música e da vestimenta, o mesmo não pode se dizer do atendimento —ao menos não 100% do tempo. Observamos uma grande diferença: ou são muito simpáticos ou parecem estar fazendo um grande esforço. Isso tanto em hotéis quanto restaurantes, e não há uma cidade ou região específica que seja melhor ou pior.
Em muitos lugares, por exemplo, não há cardápio, e os atendentes falam o prato do dia. Em Ziguinchor, para escolher uma situação, a garçonete disse que estavam servindo mafé. O que é isso? “Mafé… como vou explicar?” No fim, era um ensopado de carne com legumes, bem gostoso por sinal.

Ao menos a dificuldade se limitava à maneira de atender, pois todos falam francês muito bem, ainda que wolof também seja um idioma oficial. Isso mesmo no interior do país —diferentemente do que vimos na Argélia, por exemplo.
Falando no norte africano, outro detalhe que nos chamou a atenção foram os cigarros, ou a falta deles. Se nos países árabes fuma-se muito, a situação muda conforme descemos o continente. Ainda que 92% sigam o islamismo, o estado é laico, então há cervejas à venda, e a presença do álcool parece substituir a nicotina nas ruas.
Além do álcool, outra bebida que passou a fazer parte do nosso cotidiano foi o café solúvel. Enquanto no norte africano a cultura do chá impera —é o momento de interação com os visitantes na Mauritânia—, no Senegal todo café que consumimos era de pacotinhos de Nescafé. Triste para quem está acostumado com a qualidade da bebida brasileira.
Nas ruas, há muitos carrinhos com a marca em destaque, onde as pessoas preparam copos com doses cavalares de açúcar. Presenciamos um homem colocar tanto pó branco no copo que o Faraó achou que era leite em pó, mas, no fim, era só para adoçar a bebida. Por essas e outras que não experimentamos o café touba, servido com especiarias e tradicional no país.
Esses carrinhos de café são muito comuns nos pontos de ônibus de Dacar e nas garagens de carros que viajam entre cidades —afinal de contas, é preciso de cafeína para aguentar as inúmeras horas em trânsito.
Na capital, os engarrafamentos são em grande parte decorrentes dos incontáveis táxis e das duas variações de transporte público: grandes ônibus, como no Brasil, e microonibus, divididos em várias fileiras, em que as pessoas mudam de lugar assim que outro passageiro sai (falamos mais sobre o transporte em Dacar aqui).

Para viajar entre cidades, adotamos o sept-places: carros velhos em que 3 passageiros sentam-se no banco dos fundos, outros 3 no meio e 1 ao lado do motorista. Normalmente, o lugar no fim do veículo é apertado e quente, então a nossa sugestão é, se possível, fique o mais perto possível do condutor. E prepare-se: o tempo do Google Maps nunca corresponde à realidade.














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