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Cara, Libéria tem rica, porém triste história


Monróvia é uma cidade cara. Esta é a primeira coisa que você precisa saber antes de ir até lá. Os hotéis nos sites de reserva começam nos US$ 90 (R$ 465), e os restaurantes ou são ultra mega locais (o que impõe certos desafios) ou parecem saídos da Europa ou dos EUA —ou seja, são voltados para pessoas desses locais.

Mas isso não quer dizer que seja impossível visitar a cidade ou que não vale a pena. A Libéria possui uma rica, porém triste história e, o mais importante, destina espaço para contá-la. Além disso, ainda que sejam caros, é bom poder passar o tempo em alguns dos cafés dos hotéis chiques e beber um espresso ou americano, dando assim uma folga ao Nescafé onipresente na África Ocidental.


Informações práticas*:

  • Média preço almoço: US$ 9,50 (R$ 51)
  • Média preço jantar: US$ 7 (R$ 38)
  • Média preço hospedagem: US$ 35 (R$ 186,50)
  • Deslocamentos: táxi compartilhado, tuktuk (chamado de kekê)
  • Visto: é necessário para brasileiros, e conseguimos o nosso na embaixada em Dacar
  • Moeda: dólar liberiano/dólar americano (R$ 1 = 30,44 LD$/US$ 0,19)
  • Dica: há alternativas de hospedagem fora dos sites de reserva, e é possível encontrá-las em aplicativos como o iOverlander. Nós ficamos em uma ONG que aluga quartos a US$ 40, com Wifi e ar-condicionado, e possui cozinha.

* valores para janeiro/fevereiro de 2023 para duas pessoas


A influência americana

Os principais atrativos da capital liberiana estão concentrados em uma rua, a Broad Street, e podem ser visitados em um dia. Percorrer a larga avenida, com um canteiro central de árvores cujo cercado é vermelho, branco e azul, é um mergulho rápido na história deste país, que completa 176 anos de independência em 2023.

Diferentemente da maioria dos países africanos, a Libéria foi colonizada por ex-escravizados americanos, e percebe-se isso em diferentes momentos, inclusive na Broad Street. O primeiro é a própria bandeira do país: um quadrado azul no canto superior esquerdo e o restante com listras vermelhas e brancas. A única diferença é que, em vez de 50 estrelas, possui apenas uma.

No Museu Nacional da Libéria (sim, fica na Broad Street), há uma explicação para cada símbolo. As onze listras correspondem aos signatários da declaração da independência, enquanto o vermelho e o branco representam coragem e excelência moral. A estrela branca, por sua vez, é por ser a primeira república independente, seguindo o estilo Ocidental, na África. Por fim, o quadrado azul é o continente africano.

E uma nota importante: sete mulheres desenharam a bandeira liberiana.

Como a Libéria foi formada por pessoas vindas dos Estados Unidos, é possível ver em vários cantos a forte herança do país do outro lado do oceano Atlântico, como nas igrejas, que lembram as do sul americano, e nos ônibus escolares —há muitos veículos amarelos nas ruas, igual aos dos filmes da Sessão da Tarde.

Igreja da Providência Batista, em Monróvia, também é sede da pedra fundamental da Libéria

Entretanto, o que mais nos impressionou dessa influência foi a ampla utilização do dólar americano no dia a dia. Em inúmeros estabelecimentos o preço dos produtos são na moeda estrangeira, inclusive em supermercados e em restaurantes, mesmo os mais baratos.

Até nos caixas eletrônicos o dólar impera —na nossa primeira tentativa de sacar dinheiro, ficamos em dúvida se estava certo e chegamos a perguntar para uma estrangeira, no guichê ao lado, se era isso mesmo. E a confusão fica maior: quando o troco é abaixo de US$ 5, eles costumam adotar o dólar liberiano, numa cotação informal de US$ 1 para 150 DL$.

A capital também tem outra importante via, a Tubman Boulevard, onde se concentram o complexo ministerial, grandes lojas e supermercados e os chiques hoteis. Por falar nisso, são neles que estão restaurantes e cafés, com espressos a partir de US$ 3 (R$ 15,50). E não se assuste se o estabelecimento adotar outra chata herança americana: os obrigatórios 10% de taxa.

As duas moedas adotadas na Libéria: dólar americano (esq.) e dólar liberiano

História e guerras

Antes de os ex-escravizados americanos serem enviados para a África e a Libéria como Estado ser formada, o território era ocupado por 16 etnias, com suas próprias tradições e regras.

Mais recentemente, o país foi palco de três grandes e tristes eventos. Uma guerra civil assolou o território de 1989 a 1996, deixando 250.000 mortos e, pouco tempo depois, de 1999 a 2003, outro conflito nacional gerou mais 300.000 óbitos. Além de tantas vidas perdidas, incontáveis liberianos carregam marcas no corpo, e é possível ver nas ruas pessoas sem algum membro pedindo dinheiro.

As duas guerras civis foram consequência de brigas entre etnias que estavam descontentes com os governantes, descendentes dos ex-escravizados americanos. Anos após o fim do segundo conflito, em 2005, Ellen Johnson-Sirleaf venceu a eleição presidencial e comandou o país até 2018 —ela ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2011.

A Libéria passaria ainda por outra grande crise no século 21: o vírus do ebola. De março de 2014 a janeiro de 2016, mais de 10 mil pessoas foram infectadas e quase 5 mil morreram em consequência da doença.

Prédio no centro de Monróvia cravejado de balas; deslize para esquerda para ver as marcas mais de perto

Informalidade e religião

Em Monróvia, muitos endinheirados e estrangeiros circulam pelos caros restaurantes da Tubman boulevard, mas, mesmo nesta via, vê-se o poder da economia informal. Em meio aos carros, pessoas vendem garrafas plásticas de água e refrigerante, ou então saquinhos de banana frita.

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Há também os inúmeros táxis compartilhados, que costumam cobrar 150 LD$ (R$ 5) pela corrida, e motos (não nos arriscamos neste modal) com até 3 passageiros, além do piloto. A capital tem também várias concentrações de barraquinhas que vendem de tudo, de bebida gelada a peixe frito.

Essa informalidade pode ser vista também no interior. Em Ganta, cidade próxima à fronteira com Costa do Marfim, vendedores ambulantes tentam chamar a atenção, de tudo que é jeito, dos compradores. Assim como motoristas de táxi rodeiam, por vezes de maneira intimidatória, eventuais passageiros.

Outro traço marcante da cultura liberiana são as igrejas. Existem muitas, e de tudo quanto é tipo. Coreana, episcopal, batista, presbiteriana, a lista é infinita e isso só em um passeio por duas grandes ruas (Broad Street e Tubman Boulevard). Aos domingos, é possível ver várias pessoas saindo dos cultos, muito bem arrumadas.

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