Praieiros que somos, tivemos em Man, na Costa do Marfim, nossa primeira experiência no mato. Não foi uma trilha, e sim uma grande caminhada —motivada por um erro do Google Maps— até uma cachoeira.
Informações práticas*:
- Média preço café da manhã: 3.000 XOF (R$ 26,50)
- Média preço almoço: 3.000 XOF (R$ 26,50)
- Média preço jantar: 4.000 XOF (R$ 35,50)
- Média preço hospedagem: 20.000 XOF (R$ 177)
- Deslocamentos: ônibus, van, moto e táxi
- Visto: é necessário para brasileiros, e obtemos o nosso na Libéria (porém não recomendamos)
- Moeda: franco da África Ocidental (R$ 1 = 119 XOF)
- Dica: muita gente se oferece como guia, até crianças com uniforme escolar. Caso queira um, pergunte para alguém de confiança.
* valores para fevereiro de 2023 para duas pessoas
Chegamos à maior cidade do oeste marfinense, com cerca de 240 mil habitantes, após dois dias de estrada, vindos da liberiana Monróvia. Por mim, seria uma parada estratégica antes de seguir até Abidjã, uma das capitais.
A Pati, entretanto, pesquisou sobre o lugar e viu a oportunidade de fazermos uma incursão à natureza. Afinal de contas, Man é conhecida como a cidade das 18 montanhas. Os principais passeios na região são ao Dent de Man e aos montes Toura e Tonkoui, assim como à Cascata de Man.

Havíamos lido no iOverlander —plataforma colaborativa com dicas/relatos de hospedagens, restaurantes e embaixadas— que há muita oferta de guias na região, inclusive no hotel CAA (20.000 XOF/R$ 177 o quarto), onde ficamos. Mal fizemos o check-in e um homem já nos abordou. No dia seguinte, enquanto tomávamos café da manhã, outro ofereceu seus serviços.
Este segundo guia nos disse que seria possível ir a pé à Cascata de Man, ao Dent de Man e a uma igreja, tudo por 20.000 XOF (R$ 177). Caso quiséssemos destinos mais longe, teríamos que acertar com um táxi, que sairia por mais 60.000 XOF (R$ 531).
De acordo com o recepcionista do hotel, poderíamos ir por conta própria à cascata, sem guia. Para outros destinos, no entanto, precisávamos da companhia de um profissional. Desacostumados a trilhas e sem vontade de gastar uma diária de hotel para andar a pé, optamos pelo passeio grátis.
De acordo com o Google Maps, a cachoeira ficava a 3 km de nossa hospedagem. Seguimos a orientação e, cerca de 20 minutos depois, caminhávamos em ruas de terra, num bairro residencial, onde um garoto com uniforme escolar disse ser guia e, mesmo recusando suas ofertas, nos seguiu por um bom trecho.
Mais 20 minutos e estávamos nos embrenhando em vielas, com muitas casas de madeira. Quando vimos, já havíamos ultrapassado o destino, segundo o app, e nada de estarmos próximos a qualquer natureza.
Perguntamos a alguns moradores e um deles nos falou para voltarmos um pedaço do caminho e pedir por mais informações. Foi aí que resolvemos checar o app do iOverlander e, para nossa tristeza, a cascata ficava a 5,5 km dali. E já era meio-dia.

No percurso, paramos vários táxis, mas nenhum aceitou nos levar até a cachoeira —e olha que ela é no perímetro urbano. Mesmo na força do ódio, foi difícil caminhar por mais de 1 hora sob sol e calor inclementes. E, como entramos numa longa rua errada, aumentamos em 1 km nossa jornada.
Grande parte do trajeto fizemos em vias asfaltadas, mas o último 1 km do trecho era numa estradinha de terra morro acima, em meio à floresta. Entretanto, ela era larga o suficiente para táxis transitarem. Imaginamos que os carros eram contratados exclusivamente para esse percurso, enquanto tentávamos com táxis compartilhados.

A cascata
Após assistir a tantos vídeos de nosso amigo Júlio Ettore em seu canal no YouTube sobre trilhas, eu imaginava que teria que andar em meio ao mato para encontrar a Cascata de Man. Enorme engano.
O lugar se tornou um empreendimento, murado, com um caminho de cimento e muitos bancos. Em frente à queda d’água, um bar com música alta. E, onde seria uma piscina natural, há um lago com uma pequena parede azulejada. Agora é uma piscina mesmo e, de natural, só as pedras por onde corre a água.

Para chegar da entrada, onde pagamos uma taxa de 500 XOF (R$ 4,50), ao caminho de cimento, há uma grande escada, que exige certo esforço.
Provavelmente diminuí suas expectativas, mas aconselho a considerar o passeio. O melhor é visitar o local na estação de chuvas, de maio a novembro, o que aumenta consideravalmente a queda d’água. Estávamos em fevereiro, então a cascata estava mais seca. Mesmo assim, um belo espetáculo da natureza.
Foi surpreendente presenciar moradores aproveitando o espaço, numa sexta-feira. Além de alguns grupinhos de crianças e adolescentes se divertindo na piscina, havia adultos, inclusive uma idosa, se molhando ali. Até agora, em nossa viagem pelo continente africano, encontramos mais frequentemente estrangeiros do que nativos em passeios assim.
Para o hotel, retomamos aquele trecho de terra a pé até chegar ao asfalto, onde foi muito fácil encontrar um táxi. Caso tivéssemos ido na direção certa desde o início, teríamos caminhado cerca de 5,5 km, e não 9,5 km, como fizemos. Fica o aprendizado de sempre checar o endereço antes de sair de casa.















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