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Montanhosa, Ruanda possui capital agradável e triste história de genocídio


Quando se fala em Ruanda, muita gente vai se lembrar do genocídio de 1994. É fato que há vários locais que preservam essa triste história espalhados por esse pequeno país africano, mas a capital, Kigali, também conta com outros tipos de atrações, de arte a gastronomia. E já prepare o físico, pois a cidade tem morro que não acaba mais.


Informações práticas*:
  • Média hospedagem: 25.500 francos (R$ 106)
  • Média almoço: 12.000 francos (R$ 50)
  • Média jantar: 12.500 francos (R$ 52)
  • Visto: é necessário para brasileiros, e um visto único para Ruanda, Uganda e Quênia, o EAC Visa, pode ser tirado na fronteira
  • Moeda: franco ruandês (R$ 1 = RF239,50)
  • Dica: o EAC Visa dá direito a circular pelos 3 países por 90 dias, então vale a pena organizar seu roteiro para não perder a oportunidade. Enquanto em Ruanda é possível tirar o documento na fronteira, nos outros 2 é preciso preencher um formulário online antes.

* valores para setembro de 2023 para duas pessoas


A capital ruandesa é uma das cidades que mais se aproximou com aquilo que estamos acostumados no Brasil —ao menos em São Paulo— no quesito o que fazer e onde comer. Vamos começar pelo segundo tópico.

Ficamos em uma região muito bem servida de restaurantes e cafés. Há culinária francesa, israelense e, é claro, africana, além de lugares descolados e moderninhos que parecem construídos para nômades digitais —um menu farto de cafés e sanduíches servidos com Wi-Fi.

Tudo isso parece ter seu preço, né? Mas o Mamba Club, hostel em que nos hospedamos no bairro Kimihurura, oferece um ótimo custo-benefício (25.500 francos ruandeses/R$ 106). O local conta ainda com bar, restaurante, mesa de sinuca e de pingue-pongue, quadra de vôlei de praia, piscina e pista de boliche —a única de Ruanda, segundo o proprietário. Só é preciso se acostumar com a música até mais tarde, em especial aos fins de semana.

Perto dali, experimentamos o bufê de culinária continental Afrika Bite, que oferece cinco a seis opções quentes e salada a um ótimo preço: 4.500 francos (R$ 18,50) por pessoa. Também estivemos no Repub Lounge, mais caro, mas com um à la carte bem variado. Comemos arroz frito de carne servido com matoke (banana ensopada) e recomendamos. Por fim, batemos ponto no Rubia Coffee Roasters —nem precisamos falar que foi um dos nossos locais favoritos.

Quanto ao que fazer, Kigali traz, obviamente, muitos marcos ligados ao genocídio de Ruanda, que vamos falar mais adiante, mas há muito mais na cidade além disso. Apesar de muitos morros, é bem agradável caminhar por boa parte, pois encontramos muitas calçadas e árvores.

Para quem curte um passeio mais cultural, a capital ruandesa oferece uma boa gama de opções, entre o Museu de Arte de Ruanda, que foi o antigo palácio presidencial, o Centro de Arte Inema e a Galeria de Arte Niyo. Estivemos nesta última, criada por um ruandês para incentivar artistas locais. São 17 residentes que expõem suas obras lá, em sua maioria quadros de encher os olhos —e esvaziar os bolsos, pois a peça mais barata era US$ 200.

O genocídio envolvendo tutsis e hutus

Ruanda foi palco de um genocídio com números impressionantes: 800 mil pessoas foram mortas em 100 dias e, ao fim, cerca de 2 milhões fugiram para a RD Congo com medo de retaliações.

Para não deixar esse fato cair no esquecimento, vários locais espalhados por Ruanda preservam as marcas desse período e contam um pouco da história. Na capital, visitamos três deles.

O mais marcante é o Memorial do Genocídio de Kigali, onde estão enterradas algumas das vítimas —ossadas encontradas em outros lugares são transferidas para o local.

No museu, banners e audioguia em diversos idiomas, inclusive português europeu (20.000 francos/R$ 84,50), explicam o período que antecedeu o genocídio e o que ocorreu entre abril e julho de 1994, quando o massacre tomou o país.

Para início de conversa, foram os colonizadores belgas que dividiram a população originária a partir da posse de vacas: quem tinha 10 ou mais passou a ser tutsi, enquanto os que possuíam menos foram chamados de hutus —a maioria da população.

Membros do grupo minoritário passaram a governar o território, gerando muito descontentamento entre os hutus, que derrubaram a monarquia em 1959 e assumiram o controle do país. Rebeldes tutsis, que haviam fugido para outras nações, retornaram em 1990 e iniciaram conflitos armados até um acordo de paz, em 1993.

O acordo não agradou ao então presidente, Juvénal Habyarimana, que o via como uma submissão aos tutsis, pois envolvia entrega de armamentos e integração às Forças Armadas da etnia vista como rival. Aqui vale lembrar que Habyarimana era apoiado pelo governo francês, inclusive militarmente.

Em 6 de abril de 1994, o avião com os presidentes hutus de Ruanda e Burundi foi derrubado e, horas depois, o genocídio começou. Orquestrada por hutus extremistas, a matança se guiou por listas com nomes de tutsis e de hutus considerados traidores —aqueles casados com mulheres do grupo rival ou que negociavam com tutsis.

O museu mostra relatos de homens matando esposas e filhos e também de massacres dentro de igrejas, onde muitos se refugiaram. Entre os espaços mais impressionantes está o que guarda crânios de vítimas e outro com perfis de crianças mortas, algumas com meses de vida. Difícil sair de lá sem ser impactado.

Não muito longe fica o Hotel des Milles Collines, onde o gerente deu refúgio a cerca de 1.200 pessoas —a história inspirou o filme “Hotel Ruanda”. Hoje, para entrar no luxuoso empreendimento é preciso ter o carro revistado contra bombas e passar por uma máquina de raio-x. Dentro, não há nada que lembre a importância do ambiente durante o genocídio, e muitos turistas aproveitam o bar à beira da piscina.

Mais escondido em Kigali está o gratuito Memorial aos Soldados Belgas —há uma pequena placa ao lado de um centro de convenções sinalizando a entrada. Lá, 10 soldados de uma missão da paz da ONU foram cercados e mortos em um pequeno prédio. Outros 12 belgas também foram assassinados durante o massacre.

No local, painéis explicam como foi o embate entre os europeus e os hutus e também mostram a cópia de um fax, enviado 3 meses antes, avisando a ONU sobre a organização do genocídio. É possível ver vários buracos de tiros por todo o lugar, assim como as marcas dos estilhaços de uma granada. Do lado de fora, totens homenageiam os militares.

Vida selvagem

Mas Ruanda, é claro, não se limita à sua triste história. O pequeno país de 26,34 mil km² (um pouco menor que o estado de Alagoas) reúne parques nacionais em que é possível ver a vida selvagem.

Um deles é o Akagera, onde um número crescente de animais, como leões e rinocerontes, pode ser observado. O grande atrativo, no entanto, são os gorilas da montanha no parque Volcanoes, na divisa com RD Congo e Uganda e que faz parte do Virunga. Para vê-los, porém, é preciso preparar o bolso. Um passeio de um dia não sai por menos de US$ 1.500.

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