Há muitas companhias aéreas de baixo custo, as famosas low cost, que atuam no Oriente Médio e seus preços são bem competitivos com os ônibus, a ponto de trocarmos um modal pelo outro no dia da partida da Arábia Saudita para os Emirados Árabes. Mas, para cruzarmos a fronteira entre o território emirático e Omã, viajar por terra valeu muito mais a pena.
A Al Khanjry Transports, em Deira, opera um ônibus que liga Dubai, a maior cidade emirática, a Mascate, a capital omani, mas, de acordo com nossas pesquisas, há uma grande demanda pelas poltronas e é recomendado comprar as passagens o quanto antes. Quando o casal Claire e Nick viajou em janeiro de 2023, só havia vaga para dali 3 dias. Nós, em dezembro do mesmo ano, conseguimos para 2 dias depois.

O escritório da empresa não é muito grande e, quando fomos adquirir nossos bilhetes, presenciamos uma acalorada discussão entre um funcionário e um cliente. Por sorte, na nossa vez de sermos atendidos os ânimos estavam mais serenos.
Se para entrar não nos é exigido visto, para sair precisamos pagar uma taxa, algo semelhante ao que aconteceu na Jordânia. Desta vez, era necessário preencher um cadastro no tablete da agência e pagar com cartão 35,90 dirhams (R$ 49) por pessoa. Como brasileiros, ficamos bem receosos de colocar nossos dados no aparelho deles, mas não tinha muito como fugir da situação.
Assim que o pagamento foi confirmado, recebemos um documento com nossos dados por e-mail e o enviamos para o WhatsApp da empresa para imprimirem para nós. Só depois dessa burocracia resolvida é que pudemos comprar as passagens (100 dirhams/ R$ 137 por assento). Há 3 saídas diárias de ônibus, às 7h, às 15h e às 22h, e eles pedem para que o viajante esteja ali 1 hora antes de o veículo partir.
Mudamos de hospedagem na véspera de pegar a estrada para ficarmos mais perto da agência e, assim, andarmos menos até lá de madrugada —a região é bem movimentada de pedestres, mesmo às 5h30. Ao lado do escritório havia várias lanchonetes abertas, então é possível garantir um barato café da manhã enquanto se espera o veículo partir.
Não há assento marcado, e o motorista do ônibus, um omani muito simpático, orientou as mulheres e casais a sentarem nas primeiras poltronas e direcionou os homens para o fundo. A maior parte dos passageiros parecia ser de indianos ou paquistaneses, e alguns poucos tinham traços típicos do Sudeste Asiático —88,5% dos moradores dos Emirados Árabes são expatriados.
Fronteira Emirados Árabes-Omã
Partimos às 7h10 e 2 horas depois chegamos à fronteira, onde o motorista organizou o desembarque dos passageiros por grupos. No prédio emirático, apresentamos ao oficial os documentos preenchidos e impressos na agência, em Dubai, e recebemos os carimbos de saída. Todo o nosso processo durou 5 minutos.
No lado omani, porém, levamos mais tempo: 15 minutos. Os passageiros que estavam à nossa frente na fila estavam com algum documento que agilizava o carimbo, mas nós precisávamos obter o visa on arrival —visto na chegada, em bom português—, burocracia necessária para brasileiros e europeus —estamos agora viajando com os documentos do 2º grupo, já que a Pati tem a cidadania italiana e eu, a polonesa.
Fomos para o guichê separadamente, e a oficial quis saber da Pati se tinha visto. Dias antes de viajarmos, soubemos que há isenção caso a pessoa fique menos de 14 dias em Omã, o que seria a nossa situação. Havia relatos também de que seria necessário apresentar bilhete de saída, mas resolvemos arriscar e não levamos nada. A Pati perguntou sobre isso —o visa exempt—, ao que a omani a questionou se era residente. Diante da negativa, a mulher deu o carimbo do visto e o de entrada. A agente repetiu tudo comigo.
Com entrada liberada, sacamos riais omanis no caixa eletrônico e esperamos os demais passageiros embarcarem. Num prédio mais pra frente, tivemos que descer com nossas mochilas para uma revista policial, inclusive com um cão farejador. Fomos separados por gênero e passamos por uma máquina de raio-x. Assim, após 1h10 da chegada ao 1º edifício, voltamos pra estrada.
O ônibus parou por volta do meio-dia numa cidade onde grande parte dos passageiros desembarcou, restando menos de uma dezena no veículo. O motorista ainda nos perguntou onde ficaríamos em Mascate, para nos deixar o mais perto possível. Assim, após 480 km e 7 horas de viagem, desembarcamos no Oman Avenues Mall.
E um detalhe importante: essa foi nossa última travessia de fronteiras terrestres nessa 1ª temporada da nossa volta ao mundo. Como a Arábia Saudita é muito grande e há poucas informações sobre ônibus ligando o país a seus vizinhos, nos organizamos para viajar de avião entre nossos destinos da península arábica.
Após 14 meses pegando estradas, muitas vezes apertados em vans, carros e até mesmo motos, principalmente na África, teremos nosso momento de riqueza e conforto. Mas logo menos voltaremos a viajar por terra, em um novo continente, e quem sabe até mesmo em novos modais?














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