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Qatar esbanja modernidade e riqueza em prédios, museus e metrô


A nossa entrada no Qatar, pelo Aeroporto Internacional Hamad, em Doha, não nos deu uma boa primeira impressão do país —o oficial de imigração encrencou com a gente, mesmo que sejamos virtualmente isentos de visto—, mas os dias em que lá passamos desfizeram essa imagem.


Informações práticas*:
  • Média hospedagem: 206 riais (R$ 300)
  • Média café da manhã: 86 riais (R$ 118)
  • Média almoço: 81 riais (R$ 111)
  • Média jantar: 35 riais (R$ 48)
  • Visto: não é necessário para brasileiros
  • Moeda: rial qatariano (R$ 1 = 0,73 riais)
  • Dica: Doha tem uma boa malha de metrô, mas é preciso atenção na hora de comprar o bilhete, na questão custo-benefício. Falamos mais no texto a respeito disso.

* valores para dezembro de 2023 e janeiro de 2024 para duas pessoas


Na capital qatariana, ficamos no Swiss-Belinn Doha, um hotel muito próximo à estação Sadd. A diária nada barata (206 riais qatarianos/R$ 300) nos garantiu um quarto grande com banheiro excelente, além de uma equipe muito simpática.

Os problemas ali ficaram por conta da porta que nos ligava ao quarto vizinho —nossos colegas eram bem barulhentos— e a escondida entrada do hotel. Ao chegarmos, acreditávamos que a porta principal do edifício, de frente à rua, nos levaria à recepção, mas ela era do restaurante do lugar. Para a recepção, era necessário andar pelo caminho dos carros. Nada intuitivo. Ainda mais quando estávamos cansados de um voo e com as nossas pesadas mochilas nas costas.

Como nossa diária não tinha café da manhã, escolhemos uma cafeteria a uma pequena caminhada do hotel, a Orangery Café Trottoir. O lugar era grande e com várias opções no cardápio, de diferentes preços e até com café incluído. Pedimos os pratos mais baratos, e ainda assim substanciosos. A irritação veio com a conta, pois aí descobrimos que as bebidas faziam parte de alguns menus, e não de todos os itens. Um grande problema facilmente solucionado por um pequeno asterisco. Foi preciso debater com dois funcionários para pagarmos apenas os pratos, já que o menu, assim como o hotel, não era intuitivo.

Um terceiro problema que tivemos com funcionalidades foi no metrô. Para sairmos do aeroporto, pedimos ajuda a um funcionário —há muitos e os vimos em todas as estações por onde passamos— para saber qual bilhete comprar. Dissemos que ficaríamos três dias em Doha, ele fez uma rápida conta e avaliou que o melhor para nós seria pegar o passe diário, mas não soube explicar direito. Diante da nossa indecisão, recomendou o cartão, que não era o mais adequado para a nossa situação. Para entender, se prepare para as contas.

Entrada de uma das muitas estações de metrô de Doha

O passe diário custa 6 riais e dá direito a viagens ilimitadas até a meia-noite. Ele é um bilhete de papel, então não é preciso emitir um cartão para usá-lo. O cartão, por sua vez, custa 10 riais e cada recarga precisa ser de, no mínimo, 10 riais. Ele funciona para viagens únicas, a 2 riais cada, mas se torna um passe diário a partir da 4ª viagem —ou seja, em um dia não se gasta mais do que 6 riais.

Nós fizemos uma viagem no dia em que chegamos (2 riais), diversas no segundo (6 riais) e no terceiro e mais uma na saída (2 riais). No terceiro dia, pegamos um passe diário e, do nosso cartão, gastamos os 10 da primeira compra. Desse jeito, gastamos 10 do cartão, 10 da carga e 6 do passe diário, totalizando 26 riais. Se tivéssemos pegado um passe diário todos os dias (6 riais do passe x 4 dias), teríamos gastado 24 riais. E nós paramos para fazer esta conta porque sim, fazemos de tudo para economizar, nem que sejam 2 riais.

Apesar desses três percalços, gostamos muito da capital qatariana. O metrô, diferentemente do de Dubai, tem mais ramificações e pudemos ir a vários destinos com ele. Sem falar que muitas estações são espaçosas. Há ainda vagões destinados a famílias, onde mulheres podem viajar com mais tranquilidade, e opções VIPs, com mais conforto —e mais caras, obviamente. Uma pena que esse transporte público não seja mais difundido em outros países por onde passamos nessa primeira temporada da nossa viagem de volta ao mundo.

Muita cultura e modernidade em Doha

Nosso passeio por Doha começou no Villaggio Mall, um shopping que se tornou atração por seus corredores cortados por um canal e fachadas de lojas feitas para parecerem casas venezianas. Meio cringe, ainda mais com um teto que imita o céu, mas lá fomos em busca do Carrefour, supermercado francês que talvez tivesse um espumante para brindar a chegada de 2024. Não tinha, mas aproveitamos para fazer nosso conteúdo de compras e ainda garantimos um power bank a um bom preço.

As bebidas alcoólicas, aliás, só podem ser compradas por moradores do Qatar, que precisam possuir ainda uma autorização especial e se dirigir a um local específico.

Ao lado do Villaggio Mall está o Estádio Internacional Khalifa, que sediou jogos da Copa do Mundo de futebol masculino em 2022 e abriga um museu esportivo. Não é muito o nosso perfil de passeio, então seguimos para a próxima parada: a Biblioteca Nacional.

Acrescentamos no roteiro a partir da indicação de Anna, que mora por lá e faz parte, junto com o Faraó, de um grupo de leitores da newsletter Passageiro, do Matheus de Souza. E que acerto foi! A biblioteca é ampla e moderna, com livros em diferentes idiomas. Há um café dentro, com mesas e poltronas para quem quiser fazer do local o seu escritório —computadores também estão disponíveis. No andar subterrâneo, há uma exposição sobre o mundo árabe e da coleção privada dos emires qatarianos.

Depois de algumas horas na biblioteca, pulamos de novo no metrô para ir para a Vila Cultural Katara, que fica perto daquele presentão vermelho que talvez você tenha visto em alguma imagem da Copa. Antes de entrar na vazia parte cultural, que parece estar lá para mostrar como são as construções nativas do Qatar, há uma Galeria Lafayette e alguns cafés e bistrôs que exalam riqueza —nem nos arriscamos a ver preços.

Dentro da “vila”, há uma loja de suvenir, alguns restaurantes e um anfiteatro. Almoçamos por lá, no Khan Farouk Tarab Café, e o preço foi menor do que se poderia esperar de um local turístico. Dois mojitos virgens e um raghif (pão árabe recheado com carne, servido como quesadilla) saíram por 81 riais (R$ 111).

Terminamos nosso dia no Pearl Island. A tarde pós-almoço foi tomada pelo deslocamento do metrô até a ilha circular. Isso porque, apesar de haver um ônibus gratuito, na estação nos tinham dito que era preciso um aplicativo para ter acesso. E, para ter o aplicativo, precisava de um número local, algo com que não contamos.

Fomos a pé e foi um passeio agradável, apesar da pouca calçada. Fizemos nossas compras da ceia de Ano Novo —pastinhas árabes e refrigerante— e fomos para um café. Sim, pleno 31 de dezembro, 19h, e ainda tinham cafés e restaurantes abertos atendendo o público em geral (e não para a festa da virada). Na volta para o metrô, tentamos a sorte no ônibus e o nosso cartão funcionava.

E aí entramos em 2024! Para o primeiro dia do ano, reservamos os passeios na região do Porto Antigo. De lá, há uma bela vista do skyline de Doha e muitos barcos para turistas —mas neste dia estavam bem vazios. Perto dali está o Museu de Arte Islâmica (50 riais / R$ 69), que reúne diferentes peças, desde obras de arte a vestuário e até um astrolábio! Mas não se aventure a tomar um café por lá, pois custa caro. Pagamos 63 riais (R$ 86) em um cappuccino e um americano, mais duas águas.

Perto do fim do dia, passamos pelo Flag Plaza, com bandeiras de diversos países, e em frente do Museu Nacional, que já estava perto do horário de fechar. No caminho para o metrô próximo dali vimos algo muito raro por essas bandas: uma região menos rica. Parecia uma quadra murada, com várias casas e estreitas passagens entre elas. O que indicava ser mais popular era a quantidade de antenas nos telhados e o muro meio mal cuidado.

Depois de dois dias de muita caminhada, deixamos Doha. Avaliamos que é tempo suficiente para ver o principal da cidade e não chegamos a procurar outros passeios pelo país, pois cada minuto custa muito caro nessa parte do mundo.

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Uma resposta a “Qatar esbanja modernidade e riqueza em prédios, museus e metrô”

  1. Avatar de Nina Rosa Lima Medeiros
    Nina Rosa Lima Medeiros

    Oi, continuo acompanhando com interesse o trajeto de vocês. Algumas situações parecem muito normal e outras causam espécie. Mas agora vão encontrar, acho eu , lugares mais bonitos ainda, não sei se pela própria natureza ou se pelas mãos dos homens. Já li no insta que vocês estão num país nórdico. Fiquei encantada com a ideia. Tanta neve! Que maravilha! Gostaria de estar na mochila de vocês. Só não poderia ficar na casa, pois minhas alergias a pelos de cachorro não me permitiriam. Grande abraço e continuem curtindo. Beijos. Saudades.

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