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Índia exige paciência do viajante em formulário de visto on-line, necessário para brasileiros


O que você precisa saber

Embaixada em Brasília*
SES 805, Lote 24 – Asa Sul – Brasília/DF
CEP: 71620-285
Telefone: +55 (61) 3248-4006
Site: eoibrasilia.gov.in
Email: info.brasilia@mea.gov.in

Documentos necessários (digitalizados)

  • Formulário preenchido (no site)
  • Passaporte
  • Foto 3×4
  • Reserva de hospedagem

Custo: US$ 40 (pagos on-line)

* há consulado em São Paulo


Atualizado em 3 de maio de 2025

Depois de mais de 60 países visitados, sendo mais de metade deles na África, arrisco dizer que estamos habituados a procedimentos de visto. Sempre tem, porém, um processo novo para nos fazer suar e nos manter humildes.

Foi esse o caso da Índia.

Para começar, para entrar por terra, o país exige visto de embaixada, o que não seria um problema em si, não fosse a possível demora de até seis semanas para aprovação nas representações do Sudeste Asiático —e também do Paquistão. Estava eliminada, assim, a possibilidade de voarmos de Myanmar para Bangladesh e dali seguir por terra pela Ásia. Por isso nossa chegada à Índia seria pelo ar, podendo, portanto, fazer o processo do eVisa.

Com isso definido, passamos meses debatendo como iríamos fazer com os passaportes, já que temos tanto nacionalidade brasileira como europeia, e finalmente decidimos entrar na Índia com os documentos italiano (meu) e polonês (do Faraó) —para depois fazer um outro processo para o brasileiro, quando fôssemos seguir por terra (mais detalhes abaixo).


Se você é descendente de poloneses e quer saber se é possível ter sua cidadania reconhecida e o passaporte europeu, o Eduardo Joelson faz esse serviço burocrático. Em 2019 o Faraó o contratou e conseguiu rapidamente a documentação. Caso você o procure por meio da gente, ganhamos 5% de comissão.


Apesar de brasileiros serem muito bem recebidos na região, essa foi uma escolha estratégica: Bangladesh permite visto na chegada para europeus (e dá uma canseira para obter na embaixada no Vietnã, segundo relato do @timsemfronteiras); e não queremos correr o risco de encher o passaporte do Brasil de carimbos e acabar tendo que renovar na estrada.

Mesmo que seja relativamente tranquilo tirar um passaporte em embaixada, preferimos deixar para fazer essa burocracia no Brasil. E, como prevemos diversas entradas na Índia, optamos pelo documento europeu —mas as regras são as mesmas.

Agora, ao formulário em si. De início, não conseguia passar da segunda janela no meu computador, usando o navegador Chrome em um MacBook Air lá de 2015. Pode ser pela antiguidade do aparelho, até porque o mesmo Chrome no computador do Faraó correu tudo bem. Assim, utilizei o Safari, navegador nativo da Apple, e aí sim consegui seguir adiante.

O segundo desafio foi o formulário. Já nos perguntaram diversas coisas diferentes, mas nunca: se temos parentes em algum país próximo (neste caso, o Paquistão); nomes dos pais, suas nacionalidades e onde nasceram; e uma referência no país de origem (mesmo com os documentos europeus, colocamos alguém do Brasil).

Somam-se a essas questões inusitadas preencher todos os dados pessoais padrão de qualquer formulário de visto, informações sobre um segundo passaporte (se houver), se já visitou países da região (Sri Lanka, Afeganistão e/ou Paquistão), os países visitados nos últimos 10 anos, com um limite de 20, endereço na Índia (colocamos o do hotel de uma reserva cancelável), porto de entrada e emprego, inclusive anteriores.

Ah, e também as comuns se já visitou o país, teve algum visto para lá negado e se já respondeu por algum crime. Ufa!

O caso do emprego é curioso, pois desde o início da viagem nos apresentamos como professores —e, se quiserem saber mais, de português—, já que viajar como jornalista pode levantar dúvidas sobre a real motivação da visita. Não há, no entanto, essa opção, e por isso preenchemos “self-employed freelancer” (o famoso autônomo). Por outro lado, são seis categorias de mídia diferentes.

Vencida essa etapa, fizemos o upload da página de dados do passaporte e de uma foto 3×4, seguindo o limite máximo e formato ali detalhados. Finalmente era a hora de fazer o pagamento dps US$ 40, o que trouxe mais um desafio: apesar de ser pelo PayPal, o cartão da Wise não passou, e usamos o da Revolut.

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Para quem já ficou horas na embaixada do Congo, em plena Yaoundé, capital do Camarões, esperando descobrirem se a Polônia faz parte da União Europeia, ou então saiu correndo pelas ruas de Cotonou, no Benim, para agilizar os documentos antes de a embaixada do Gabão fechar, preencher um formulário chato não parece um grande desafio. Mas cansou.

O lado bom é que foi enviar e, em menos de 36 horas, recebemos o e-mail com a aprovação, bem antes do prazo de 72 horas. Agora era imprimir o eVisa e correr para o abraço, começando nossa aventura em direção à Ásia Central.

Visto da Índia para brasileiros

Depois de entrar em Calcutá em um voo de Myanmar, em fronteiras terrestres fazer um bate e volta para o Bangladesh e para o Nepal e voar para o Sri Lanka, era hora de retornar para a Índia num voo das Maldivas. A partir de então, nossa ideia era seguir apenas por terra com o passaporte brasileiro —mas a vida não está nem aí para o seu planejamento.

No mesmo site do eVisa, fizemos o pedido para um visto de 30 dias e dupla entrada, que custa apenas US$ 10 para brasileiros. Preenchemos o extenso formulário da mesma forma, sinalizando que temos dupla nacionalidade, que já estivemos na Índia e que já tínhamos um visto emitido.

Para a nossa surpresa, em menos de 24 horas veio a resposta. Para a nossa surpresa 2, apenas eu obtive o sinal verde, enquanto o Faraó recebeu um pedido de esclarecimento de por que estava solicitando outro visto, sendo que já existia um válido no sistema.

Não temos nenhuma explicação clara sobre a diferença no tratamento, mas acreditamos ser por causa do nome. No passaporte italiano consta meu sobrenome de solteira, enquanto no brasileiro está com o Klimpel (coisas do governo italiano). Não é a melhor das explicações, já que eu informei no formulário ter outro passaporte e um visto válido, mas foi a única que encontramos.

Faraó respondeu explicando que possuía a dupla nacionalidade, que na sequência iria atravessar fronteiras terrestres e que, por isso, queria entrar com o passaporte brasileiro para não ter que fazer essa troca depois —nosso histórico nos ensinou a não arriscar a mudança em viagens por terra.

Foram 60 horas de espera até vir o retorno: rejeitado. Motivo: já possui um visto válido. O jeito foi entrar com o passaporte polonês mesmo e torcer para a troca na fronteira entre Índia e Paquistão dar certo. Mas mais uma vez a vida não estava nem aí para o nosso planejamento, e vamos explicar melhor mais para a frente.

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