A Ásia Central nos deixou mal-acostumados, por causa de distâncias relativamente curtas entre capitais/cidades grandes ou, quando eram longe, ter um só ônibus ligando os dois pontos —caso da travessia entre Uzbequistão e Quirguistão, quando viajamos noite adentro pelo Cazaquistão.
Eis que surge a jornada entre Azerbaijão e Geórgia, que levou dois dias e precisou de cinco veículos diferentes. Entretanto, pelo que vimos do caminho, talvez seja possível diminuir esse número.
E o bom é que brasileiro é isento de visto para entrar na Geórgia, podendo, inclusive, pleitear um gratuito visto de nômade digital, que permite ficar 365 dias no território.
A partir de um relato na internet, de 2022, nossa ideia era pegar um ônibus de Baku, a capital do Azerbaijão, até Sheki e, de lá, outro até Qax/Qakh, onde haveria um veículo direto para Tbilisi, a capital georgiana. Por causa de horários, teríamos que dormir em uma dessas duas cidades azerbaijanas. Mas não foi bem isso o que aconteceu.
Na rodoviária de Baku, descobrimos haver um ônibus direto (₼ 15/R$ 51,50) para Qax, e isso já nos alegrou, pois teríamos um veículo a menos com o que nos preocupar. Deixamos a capital às 11h25 e chegamos ao destino às 18h.
Lá, na rodoviária, veio o primeiro balde de água fria, quando soubemos que não tinha veículo direto para Tbilisi. Com algumas palavras em russo e muita mímica, um homem nos sugeriu dividir o trajeto até a fronteira, no dia seguinte, em dois micro-ônibus e um táxi. Como já iniciamos a viagem sabendo que dormiríamos em Qax, tínhamos reservado um hotel para aquela noite.
Na manhã seguinte, rumamos cedo para a rodoviária, atrás do primeiro veículo, para Zaqatala. No quadro de horários que havíamos visto, teria um micro-ônibus às 7h30, mas ele não apareceu. Pegamos o seguinte (₼ 1,70/R$ 6), às 8h30, e chegamos às 9h50.
Pelo que pudemos observar, a cidade parece ter uma infraestrutura melhor do que Qakh, então poderia ser uma opção para pegar um veículo a partir da capital.
Lá, andamos um pouco até a concentração dos micro-ônibus para Balakan (₼ 1/R$ 3,50) e partimos às 10h. Chegamos ao destino 30 minutos depois e, ao perguntarmos ao motorista onde poderíamos pegar um táxi para a fronteira, ele se ofereceu para nos levar. Começou pedindo ₼ 15 (R$ 51,50), mas, como não tínhamos dinheiro o suficiente, o sujeito aceitou ₼ 10 (R$ 34,50). Assim, descemos na porta da imigração às 10h50.

Fronteira Azerbaijão-Geórgia
Nossa chegada ao prédio de imigração azerbaijano coincidiu com a de um grupo grande de estrangeiros, entre asiáticos e europeus. Encaramos uma rampa considerável e a fila dos gringos para finalmente falarmos com os oficiais.
Se na entrada, num voo a partir do Cazaquistão, não pediram o eVisa impresso, desta vez o agente quis ver o papel. Ainda bem que não nos desfazemos desses documentos, e ainda hoje carregamos o da Índia e do Paquistão. O funcionário azerbaijano viu a papelada e deu nossos carimbos de saída nos passaportes brasileiros.
Cruzamos a ponte que separa os dois países e, no lado georgiano, não houve uma pergunta sequer. Não sei se o oficial estava cansado da fila de estrangeiros ou se é assim mesmo o padrão de entrada. O bom é que dentro do prédio há banheiros e um ATM, onde pudemos já sacar laris, a moeda do país.
O novo desafio veio no lado de fora. Como não tínhamos noção de preços de transporte, adotamos a estratégia de sermos duros na negociação. Um senhor nos abordou e, quando falamos que queríamos um ônibus para a capital, respondeu que o melhor seria em Signaghi. Até perguntamos se haveria veículo a partir de Lagodekhi, bem mais perto da fronteira, mas ele negou.
Cheguei a questionar um oficial sobre como chegar a Tbilisi, e o sujeito, se mostrando sem vontade nenhuma de ajudar, disse para pegar um táxi. Enquanto avaliávamos a situação, outros motoristas nos pressionavam para aceitar a corrida do senhor que nos abordou, de 70 laris (R$ 158) para percorrer 50 km. Nisso, surgiu uma família de estrangeiros —aparentemente canadenses— e falou que, para ir de ônibus para a capital, só mesmo de Signaghi.
No fim, fechamos em 55 laris (R$ 124,50) a corrida e o homem dirigiu por várias curvas até a cidade. Ele nos deixou num grande estacionamento de ônibus de excursão, de onde parte também a van para Tbilisi. Há poucos horários de saída, mas demos sorte de só esperar 30 minutos e, junto a vários outros turistas, embarcamos às 13h no veículo (10 laris/R$ 23).
Chegamos à capital às 14h45 e, por sorte, a van parou perto da estação de metrô Isani. Como não encontramos sinalização de que era permitido pagar a passagem (1 lari/R$ 2,30) com Visa ou Master, compramos um bilhete eletrônico (2 laris/R$ 4,60). Mas, assim que passamos pela catraca, vimos que sim, era possível usar nossos cartões. De qualquer forma, o sistema público é rápido e logo descemos na central Rustaveli.
Alternativa com menos transportes
Como falei, nos baseamos em um relato desatualizado, mas em outro, publicado no fórum do TripAdvisor, de 2024, há uma alternativa mais rápida entre Baku e Tbilisi, por outra fronteira.
O indiano partiu de Baku para Qazax em um ônibus por ₼ 4 (R$ 14) e, depois, subiu em outro veículo para a fronteira Red Bridge, por ₼ 2 (R$ 7). Uma vez na Geórgia, pegou um táxi diretamente para Tbilisi por 60 laris (R$ 138,50).
Desta forma, reduziu de cinco para três veículos e, ainda por cima, saiu bem mais em conta. Por outro lado, os agentes georgianos fizeram uma série de perguntas e demandaram alguns documentos como seguro de viagem, voo de saída, confirmação do hotel e quanto de dinheiro levava. Mas isso pode ser devido à nacionalidade.














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