Quando começamos a planejar essa volta ao mundo, lá em 2017, tivemos que estabelecer vários rumos: quanto gastar por dia, em que momento partir, como ganhar dinheiro na estrada, qual o melhor roteiro e a duração para completar esse projeto ambicioso.
Essa última questão gerou uma negociação no melhor estilo árabe, pois o Faraó sugeriu viajarmos até o fim da vida, enquanto a Pati ponderou que era muito cedo para estabelecermos planos tão longínquos. A partir disso, ele propôs um número mais conservador, de cinco anos, e, no fim, batemos o martelo em três.
Bom, levamos esse período pré-estabelecido para completar duas temporadas da viagem e, segundo nossas estimativas, teremos mais dois anos pela frente para finalizarmos a volta ao mundo. Imagine o sorriso do leonino diante dessa matemática.
Falando em temporada, vamos ao nosso roteiro! Dividimos esse projeto em etapas, com intervalos no Brasil para ver famílias e amigos, (tentar) descansar e resolver burocracias, como passaportes novos e ida a dentistas e médicos. No fim, também lançamos nossos dois livros nessas pausas, o ‘Aventuras Sem Chaves – Parte 1’ e o ‘Aventuras Sem Chaves – Parte 2’, sobre nossas experiências na estrada.
No primeiro esboço dessa viagem, planejamos três temporadas: na primeira, percorrer a África e o Oriente Médio; na segunda, a Ásia e a Oceania; e, na terceira, de motorhome, a América e a Europa. Com o passar do tempo e dos nossos gastos, resolvemos aumentar a fase do meio com o nosso continente, já que percebemos que custaria muito comprar um veículo adaptado. Ele viria só na última etapa, no Velho Continente.
O que visitamos até agora?
Em 2 de novembro de 2022 iniciamos oficialmente a volta ao mundo, quando pousamos na Tunísia. De lá, seguimos pelo norte africano para oeste e passamos por Argélia e Marrocos. Na sequência, descemos a costa atlântica e teríamos feito tudo por terra, se a Nigéria não tivesse nos negado o visto de turismo. Nesse caminho, estivemos em países pouco visitados por brasileiros, como Gâmbia, Togo e Gabão.
No sul do continente, tivemos uma experiência nova e viajamos com dois veículos alugados, num deles com o Henrique Fonseca, do Terra Adentro, quando passamos por Namíbia, Botsuana, África do Sul e Essuatíni. Depois, pela costa leste, fomos em direção ao Egito. Ao todo, visitamos 36 países africanos.
Ainda no fim dessa temporada, que durou 14,5 meses ao todo, estivemos no Oriente Médio, mas, por causa da guerra regional orquestrada por Israel contra a Palestina no fim de 2023, limitamos nossa permanência no Golfo Arábico e estivemos em sete nações.
Antes de voltarmos para o Brasil, ainda passamos cerca de 20 dias na Suécia, onde finalizamos a escrita do primeiro livro enquanto cuidávamos de três cachorrinhas em troca de hospedagem, pelo Trusted Housesitters. Em solo tupiniquim, ficamos dois meses.
Voltamos para a estrada em abril de 2024 e começamos a segunda temporada na Rússia. Pela Transmongoliana, cruzamos o país e adentramos a Mongólia e, de lá, seguimos em direção ao leste. Do Japão, pulamos para a Oceania a fim de fugir das monções no Sudeste Asiático. No novo continente, por questões orçamentárias, nos concentramos na Nova Zelândia e na Austrália.
Depois de dois meses nas ex-colônias britânicas, adentramos o Sudeste Asiático pelo nosso primo lusófono no Oriente, Timor-Leste. Conseguimos visitar todos os 11 países daquela região e, então, seguimos para o subcontinente indiano.
Por lá, completamos a trilha para o Acampamento-base do Everest, no Nepal, passamos pela rota de trem mais famosa do Sri Lanka e mergulhamos nas águas cristalinas da Maldivas. Também vimos de perto uma das 7 maravilhas do mundo moderno, o Taj Mahal, na Índia, e cruzamos para o Paquistão em meio a tensões.
Tivemos ainda uma rápida passagem pelo pouquíssimo visitado Afeganistão para enfim nos deliciarmos com a culinária da Ásia Central e do Cáucaso, terminando a peregrinação da Turquia —com direito a passeio de balão no nascer do sol da Capadócia.
Desta vez, nossa segunda obra foi finalizada em terras catalãs, como hóspedes do querido casal de amigos Julia e Erich (e a preguiçosa gata Bea). No fim de julho de 2025, pousamos no Brasil e iniciamos a extensa preparação para a terceira temporada.
América, aí vamos nós
Se antes, como falamos, a ideia era incluir a América na segunda temporada, os ventos asiáticos nos inspiraram a dedicar uma etapa inteira só para ela. E mais: de carro!
Nós, que até então colocávamos as mochilas nas costas e saíamos por aí, decidimos adiantar os planos do motorhome e cruzar o continente inteiro, do Ushuaia ao Alasca, motorizados. O veículo escolhido, no entanto, é uma Pajero Sport 1998 adaptada, chamada Teras (apelido do tereré, bebida que Faraó tanto ama).
Vamos falar mais sobre o carro em outro texto, mas já adiantamos que ele só vai levar três passageiros: Pati, Faraó e Café, nosso pug de nove anos que vai descobrir muitos banheiros por aí.
Dividimos nosso tempo até agora entre planejar a próxima temporada e guiar grupos junto com o Terra Adentro na Islândia, o que fizemos em outubro e novembro, e no Ártico, onde o Faraó está agora.
Com quase tudo pronto (porque sempre falta um detalhe ou outro), queremos partir no dia 17 de março —mas a vida do viajante é uma eterna indecisão.
Nosso roteiro vai começar em direção ao Ushuaia, com algumas paradas antes de entrar no Uruguai e depois seguir para Buenos Aires e para a Patagônia argentina. De lá, cruzaremos para o Chile e vamos voltar às terras dos hermanos pelo norte, para ir para o Paraguai.
Depois de umas comprinhas (segundo a Pati), iremos regressar ao Brasil para uma última despedida de Campo Grande. A partir dali, entraremos na Bolívia, para na sequência seguir para Peru, Equador e Colômbia —Venezuela está em vista, mas a situação é incerta.
Vamos, então, fazer uma pausa. Oi? Exatamente. Trabalharemos mais uma vez na temporada da Islândia e do Ártico do Terra Adentro. Desta vez, porém, ela se estenderá de outubro deste ano a março de 2027 e, entre idas e vindas, vamos colocar o carro num contêiner na Colômbia em direção ao Panamá e faremos essa rota de barco. Depois, ficaremos um tempo na Costa Rica —ou algum vizinho— enquanto as expedições continuam.
Ano que vem, cumpriremos a outra etapa da América, até chegar ao Alasca. De lá, vamos despachar o carro e seguir para a Europa —não sem antes escrever mais um livro—, iniciando a última temporada da nossa volta ao mundo.
Lembrando que tudo isso é um plano e pode ser mudado a qualquer momento. Afinal, a vida na estrada é sobre se movimentar e redefinir a rota quantas vezes forem necessárias.
Nos nossos planos estão ainda trabalhar em vídeos mais longos no YouTube e, como sempre, trazer muita informação neste site para vocês.















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