Nossas muitas incursões no Chile exigiram um planejamento não só de roteiro, mas também com relação ao Café, nosso pug de 9 anos que tem acompanhado a terceira temporada da volta ao mundo, desta vez pela América.
Saímos do Brasil e fomos em direção a Uruguai, Argentina e, depois, Chile. E depois Argentina, para o Chile vir de novo, mais um pouco de Argentina para finalizar com Chile (assim esperamos). Devido a esse roteiro, que já vamos esclarecer, a documentação do Café precisou se adequar.
Como já falamos por aqui, cruzamos a Argentina em direção ao Ushuaia, o que já exige uma passagem pelo Chile. Nosso roteiro, porém, tinha mais algumas estadias em terras chilenas, então fizemos um documento só para tudo isso.
Como obter o CVI na Argentina
O órgão equivalente ao Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) brasileiro na Argentina é o Senasa (Serviço Nacional Sanitário e de Qualidade Agroalimentar, na sigla em espanhol). O primeiro passo é ir a um veterinário atrás do certificado de saúde, que tem dez dias de validade. Isso significa que, com ele emitido, você tem esse prazo para obter o CVI (Certificado Veterinário Internacional).
O veterinário irá atestar a saúde do pet e confirmar que está com o controle parasitário em dia, além de verificar a vacina da raiva e o número do microchip. Este é um ponto muito importante: só entra no Chile o animal que tomou o remédio contra parasitas internos e externos há no mínimo cinco e no máximo 30 dias —tenha isso em mente para planejar sua travessia.
Diferentemente do Brasil, o CVI argentino é pago, e o valor varia conforme a sua pressa. Para 72 horas, o custo é de $ 1.604,20 (R$ 6); 24 horas, $ 24.883,24 (R$ 93); e no mesmo dia, $ 48.162,28 (R$ 180). E não tem choro: tem que esperar realmente três dias.
Há escritórios do Senasa nas principais cidades do país. Fomos ao veterinário em Puerto Madryn, ainda na Ruta 3 antes de cruzar para o Ushuaia, e pagamos $ 33 mil (R$ 126) para o certificado de saúde e de parasitação. Mas deixamos para ir ao Senasa em Río Gallegos, onde iríamos ficar alguns dias de qualquer forma —se pedir na sexta, porém, fica pronto na segunda-feira, segundo nos falaram em Puerto Madryn.
Nas duas cidades nos pediram o certificado da vacina, o que nunca recebemos no Brasil. Aceitaram apenas o registro da imunização na carteira do Café, mas é bom solicitar para o seu veterinário, por via das dúvidas.
É importante também deixar claro o tipo documento pedido no Senasa. Isso porque é possível demandar apenas a travessia para a Terra do Fogo argentina, que tem validade de 30 dias e não permite permanência no Chile. Ou então solicitar o CVI para o Chile, que garante não só o trânsito para a região do Ushuaia, como também a estadia no país vizinho, além de entrada e saída quantas vezes forem necessárias.
Com tantas entradas e longas estadias no Chile, escolhemos o CVI de 60 dias e trânsito ilimitado. Outra recomendação é fazer várias cópias, pois a cada fronteira uma fica com o país de entrada.
Da Argentina para o Chile —3 vezes
Com a documentação em mãos, foram três travessias: a de Monte Aymond (Río Gallegos-Terra do Fogo); a de San Sebastián, no retorno; e a de Chile Chico, para de fato ter uma longa estadia no Chile.
Nas duas primeiras fronteiras, tudo foi relativamente tranquilo. Para deixar a Argentina, entrega-se os passaportes para registrar a saída do país. Depois, deve-se passar na aduana para o controle do veículo e na gendarmeria para para o controle animal. Neste caso, a cópia do CVI recebe um carimbo.
Na entrada do Chile, é preciso preencher um formulário on-line para passar no SAG (Serviço Agrícola e Pecuário, na sigla em espanhol), o que pode ser feito com antecedência ou lá na hora —eles inclusive forneceram Wi-Fi em todos os edifícios fronteiriços pelos quais passamos.
Nesta declaração, deve-se marcar “sim” na pergunta sobre produtos vegetais ou animais importados pelo Chile (infelizmente, animais de estimação são considerados produtos). Nas duas primeiras passagens, foi feita a verificação do formulário, do CVI e da cópia, que também recebeu um carimbo e ficou com os funcionários de fronteira.
Problemas ao entrar no Chile com pet
A terceira vez, no entanto, não foi a da sorte, como se costuma dizer. Foi justamente ao entrar no Chile por Chile Chico que tivemos a revista mais completa do carro —e a maior dor de cabeça com relação ao Café.
Tudo isso por causa dos medicamentos. Assim como para nós, levamos uma caixa de “primeiros-socorros” para o cachorro, que, por ser um pug com dermatite atópica (uma alergia crônica da pele), tem demandas específicas.
Por orientação de veterinários, estávamos com probiótico, antibiótico, aerosol para aliviar os sintomas de coceira, antiparasitário, colírios e por aí vai. Em um primeiro momento, pediram as receitas (que, por erro nosso, não tínhamos, mas estávamos agilizando ali na hora).
O problema foi que, com o passar do tempo, disseram que só poderia passar o que era tratamento dele. Ou seja, nada de preventivo passaria. Ficamos conversando sobre a condição dele (eu mais desesperada que o Faraó, que resolveu usar seu charme e sua calma para lidar com a situação), enquanto eu mantinha contato com uma amiga veterinária.
No fim, após 40 minutos, passou quase tudo. Ficou apenas o antiparasitário (que é caro, mas perto do que ia ficando, não reclamamos). E a solícita funcionária do SAG nos advertiu: da próxima vez, só passa com diagnóstico da condição dele e o que é necessário para tratamento —algo que já agilizamos logo após a entrada.













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