O que você precisa saber
Documentos necessários para entrar com carro
- Identidade (RG, CIN ou passaporte)
- Documento do carro
- Permissão para dirigir (CNH ou PID)
- Seguro Carta Verde
- Autorização para tráfego de veículo fora do território nacional (caso o veículo seja de empresa, emprestado, financiado por leasing, consórcio ou CDC)
Itens necessários em seu carro
- Extintor de incêndio
- Dois triângulos
- Kit de primeiros-socorros
Atravessar a fronteira entre Brasil e Bolívia, a partir de Corumbá (MS), teve um tanto de nostalgia para nós, pois a cruzamos em nossos mochilões pela América do Sul anos atrás, eu em 2011 e a Pati em 2015. Esta, porém, foi a primeira vez que a vimos tão vazia, mas isso não significa que tenha sido rápida. Todo o processo levou uma hora e meia.
Chegamos a Corumbá a partir de Campo Grande, onde visitamos minha família e levamos o Teras, nossa Pajero 1998, para a revisão. Dormimos na cidade da fronteira e, na manhã seguinte, abastecemos o carro e enchemos os dois galões de 20 litros, já que a Bolívia sofre, atualmente, com desabastecimento de combustível. Estávamos receosos de que proibissem esse transporte, mas nada disseram.
O correto para nós, brasileiros, ao sair do nosso país, é passar pela Receita Federal. Não fizemos isso no Chuí (RS), ao entrarmos no Uruguai, por desconhecimento, mas desta vez seguimos todo o protocolo. Foi rápido garantir o carimbo no passaporte e, quando fomos ao guichê da Receita Federal, o agente falou que não precisávamos fazer nada ali.
Entrada na Bolívia
Antes de visitarmos o país vizinho, tivemos uma certa dificuldade em conseguir o Seguro Carta Verde, que protege terceiros em todos os países do Mercosul. Mesmo que a Bolívia tenha aderido ao bloco econômico em 2015, todas as companhias brasileiras que contatamos não abrangem o território. Como faço parte de grupos de viajantes no WhatsApp, conversei com um corretor que vive no Peru, e ele fez a nossa apólice com uma empresa argentina, de 30 dias (37 mil pesos chilenos/R$ 212,50).
O processo de entrada na Bolívia depende muito da disposição do viajante, pois deu a impressão de que poderíamos cruzar o portal e seguir país adentro. O que fizemos foi parar o carro no estacionamento da Aduana, à direita, e ir a pé ao prédio da Imigração, do outro lado da rua, onde ganhamos os carimbos de entrada —brasileiros não precisam de visto.
Na sequência, no prédio da Aduana, tivemos que preencher o formulário 250, um documento on-line em que colocamos dados pessoais e da fronteira por onde passamos. Ele pode ser preenchido até 48 horas antes, e teríamos feito isso se soubéssemos que o Wi-Fi dali era tão ruim. Diante de nossa dificuldade com a conexão, um funcionário fez a burocracia em seu celular e tiramos foto do QR code na tela.
O problema era que havia apenas um agente para cadastrar os dados do carro e do viajante no computador, além de fiscalizar o automóvel, o que levou cerca de 45 minutos até chegar a nossa vez. No Teras, ele estava mais interessado em conferir o número do chassi e nem olhou nossos pertences ou o Café, nosso pug de nove anos.
Por fim, ele imprimiu e assinou a declaração juramentada de entrada e saída de veículos de turismo. Neste documento, ele colocou como observação que os vidros tinham película (vidrios polarizados, em espanhol). Na sequência, o agente nos orientou a atravessar a rua e ir à Polícia de Trânsito para carimbarem a ordem de circulação, no verso do papel.
É muito importante ter essa assinatura, pois há vários relatos de viajantes parados em barreiras policiais, no caminho para Santa Cruz de la Sierra, e, diante da falta da autorização, são instados a dar propina. Isso quando o veículo não é retido e leiloado em poucos dias. Há inclusive uma orientação do governo brasileiro a respeito disso.
Por isso eu estava tão preocupado em obter a assinatura e fui sozinho lá, enquanto a Pati ficava no carro com o Café. Assim que cheguei ao prédio, a recepcionista, acostumada com os estrangeiros, já mandou ir à porta do lado de fora. Infelizmente, não tinha ninguém no escritório.
Como o ar-condicionado estava ligado, bati na porta várias vezes, tentei ligar para os telefones escritos num papel grudado na porta e perguntei aos funcionários do lugar, mas ninguém sabia onde os policiais estavam.
Fui para o carro avisar a Pati e o agente da Aduana logo avisou para continuar tentando, pois estava próximo ao horário de almoço e os policiais poderiam demorar mais ainda. Preocupado, voltei lá e encontrei dois homens se acomodando nas cadeiras. Ufa!
O que parecia ser o chefe começou a assinar e perguntou para onde iríamos. Achando que ele daria uma permissão para regiões específicas do país, como é no Afeganistão, eu citei cidades a mais, para ter margem de manobra. No fim, ele só estava curioso mesmo e carimbou o papel. Quando ia assinar, perguntou se os vidros tinham película. Ao responder que sim, ele pediu para checar.
Quando voltei com o Teras, o outro funcionário foi olhar e nos falou que, na Bolívia, só é permitido ter película quando vem de fábrica, o que não era nosso caso. Nós instalamos na Lunar Film, em Florianópolis, antes de começarmos nosso giro pela América.
Voltamos ao escritório e o sujeito, mesmo repetindo que era proibido, assinou o papel. Se não fosse permitido, pensaríamos no que fazer, e provavelmente a solução seria voltar ao Brasil. Mas, com a anuência dele, seguiríamos viagem, pois tínhamos o aval oficial.
Quando entregou o papel, o homem comentou algo sobre ser voluntário e, após a insistência dele, entendi que queria algo em troca dessa liberação. Eu estava diante do primeiro pedido de propina da América. Respondi que ainda não tínhamos sacado dinheiro na Bolívia e confirmei se, com o papel, estava tudo certo para seguirmos viagem. Contrariado, ele disse que eu poderia partir.
Muitos relatos no iOverlander, aplicativo de viagem voltado a quem roda de carro ou moto por aí, apontavam pedidos de propina nas barreiras policiais até Santa Cruz, e fomos até lá receosos. Mas, para a nossa felicidade, nos pararam apenas uma vez, no controle de aduana, e o funcionário, bastante simpático, conferiu o papel e nos liberou. No fim, o agente da Polícia de Trânsito, na fronteira, foi o único a fazer coisa errada, e isso não sujou a boa impressão que tivemos dos bolivianos em nossos dias por lá.













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