O grande chamariz da terceira temporada da nossa volta ao mundo é que iremos de carro da Patagônia ao Alasca, numa viagem que deve levar um ano e meio. Mas, antes de fazer esse trajeto, foi necessário chegar à pontinha sul da Argentina. Para isso, rodamos com o Teras, nossa Pajero 1998, pelos pouco mais de 3.000 km da Ruta 3, que corta o leste do país, de Buenos Aires ao Ushuaia, ou fim do mundo, como a cidade é conhecida.










Capital da Tierra del Fuego, Ushuaia se vende como o “fim do mundo”, já que ela está na pontinha do continente americano. Para chegar às outras porções de terra, só cruzando águas.
O lugar tem cerca de 80 mil habitantes e muitas facilidades de uma cidade média, como restaurantes, cafés e cervejarias. Mas é o turismo em meio à natureza que se destaca. A começar que é de lá que partem os cruzeiros para a Antártida.









O Parque Nacional Tierra del Fuego, além de abrigar a placa do km 3.079, o final da Ruta 3, tem alguns caminhos na floresta. Outras trilhas na região são as do Glaciar Martial e do Glaciar Vinciguerra, assim como as que levam às lagoas, sendo a mais famosa a Esmeralda.
No fim de abril, após vários dias úmidos, nos aventuramos para ver a lagoa Turquesa, mas não conseguimos finalizá-la, diante de muita lama e um certo despreparo nosso. Quem sabe no verão?
Como foi rodar pela Ruta 3
A Ruta 3, mesmo sendo uma das mais importantes nacionalmente, surpreende por ser praticamente toda de pista simples. O único trecho de pista dupla, de cerca de 100 km, fica entre a capital e San Miguel del Monte. Grande parte do percurso total está em boa qualidade, mas há uns bons pedaços em que o terreno está marcado pelo trânsito dos caminhões, e se torna um desafio vencer os desníveis na pista, principalmente nas ultrapassagens.
A estrada é praticamente toda de retão sem fim, cortando um grande vazio. Quem dirige por Santa Catarina, Paraná ou São Paulo não está acostumado com essa falta de sinais humanos pelo caminho, mas é algo normal para quem roda por Mato Grosso do Sul, como o Faraó.
Como são um pouco mais de 3.000 km entre o início e o fim da estrada, dividimos a viagem entre centros urbanos: Buenos Aires -> 690 km -> Bahía Blanca -> 715 km -> Puerto Madryn -> 440 km -> Comodoro Rivadavia -> 540 km -> Comandante Luís Piedrabuona -> 240 km -> Rio Gallegos -> 375 km -> Rio Grande -> 210 km -> Ushuaia.
O Teras está equipado com uma barraca de teto e um móvel interno, onde guardamos nossos pertences e que podemos usar como cama, num plano B para noites frias ou chuvosas. Essa independência nos permite dormir em qualquer canto. Ainda assim, planejamos os pernoites da Ruta 3 em cidades, por acharmos mais seguro. Por isso que os dois primeiros dias de estrada foram mais longos, com cerca de 700 km cada, e os demais ficaram para contemplação.
Há vários postos pelo caminho, e os mais baratos e constantes eram do YPF e do Puma. Adotamos a primeira rede para abastecimento, cafés durante o dia, ida ao banheiro e até pernoite.
Assim como no Brasil, é comum que esses estabelecimentos, na estrada, tenham chuveiro para caminhoneiros, e usamos o da concorrência, Axion, em Rio Gallegos. Também tomamos banho numa ducha pública (e quentinha) em Puerto Madryn e num hotel onde dormimos, em Comandante Luís Piedrabuena —a Pati estava com a imunidade baixa e preferimos descansar entre quatro paredes.
No caminho ao fim do mundo, são poucos os atrativos naturais. Alguns trechos da Ruta 3 margeiam o Oceano Atlântico, e vimos um pôr do sol memorável em alguns dias, assim como o amanhecer.




A partir da estrada nacional, é possível ir a pinguineras (colônias de pinguins) na Península Valdés, em Punta Tombo e em Cabo Vírgenes —enquanto as duas primeiras são pagas, a última é grátis. Nesta, como chegamos no fim da temporada, de outubro a março, avistamos menos de dez aves. O litoral argentino também costuma abrigar espécies de baleias, lobos-marinhos e elefantes-marinhos. Já na estrada, passamos por incontáveis guanacos, ovelhas, coelhos, carcarás e até algumas raposas.











A grande atração da Ruta 3 é o seu término, no Ushuaia. A paisagem, que em grande parte é de pradaria, se torna montanhosa a partir de Rio Grande. Deixamos para fazer esse último trecho de dia, para poder contemplar o cenário. No fim de abril, dirigimos até com neve caindo e no chão, o que encerrou de maneira magistral os dez dias de estrada.













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