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Enorme, Buenos Aires abriga arquitetura, história e gastronomia


Andar por Buenos Aires foi um baque para nós, que vínhamos do Uruguai. A capital da Argentina tem cerca de 3,1 milhões de habitantes, enquanto todo o país vizinho conta com 3,4 milhões. Isso que nem estamos falando da área metropolitana da cidade, com seus 17,5 milhões de pessoas. Se a calmaria tomava conta de Montevidéu, na metrópole porteña agito é a palavra da vez.

Chegamos à cidade de balsa, vindos da uruguaia Colônia do Sacramento, e já passamos a circular por grandes vias, e até por um elevado que muito nos lembrou o paulistano Minhocão, nosso antigo vizinho. Na capital, preferimos nos hospedar em um Airbnb, tanto porque seria mais chato buscar onde estacionar o Teras, nossa Pajero 1998, quanto para não termos que circular com o Café, nosso cachorro, o dia inteiro. Ele não merece tanta muvuca, né?


Informações práticas*:
  • Média hospedagem: R$ 223
  • Média almoço: $36.520 (R$ 138)
  • Média jantar: $12.700 (R$ 48)
  • Visto: brasileiros não precisam de visto
  • Moeda: peso argentino (R$ 1 = $264,86)
  • Dica: Mesmo que seja mais caro, vale a pena se hospedar na região próxima às avenidas 9 de Julio e Corrientes, para ser mais fácil se deslocar entre as atrações turísticas. Sem falar na quantidade de opções gastronômicas por ali.

* valores para abril de 2026 para duas pessoas


Achamos um bom estúdio, com quarto, sala e cozinha (R$ 223 por noite) a uma quadra do Obelisco, um dos símbolos porteños. E merece essa denominação, já que foi inaugurado em 1936, no aniversário de 400 anos da cidade. Além do mais, ele fica entre duas importantes vias, as avenidas 9 de Julio e a Corrientes. Esta está apinhada de restaurantes, cafés, teatros, carros e estacionamentos, tudo a preço pouco atrativo. O país, nos últimos anos, tem se destacado negativamente entre os turistas brasileiros pelo crescimento do custo de vida.

Nessa região é possível ver importantes endereços num bom passeio a pé. Nossa primeira parada foi o Palácio Libertad, Domingo F. Sarmiento, que hospedou o Correio Central de 1928 a 2002 e, desde 2015, é um Centro Cultural. Em frente está a enorme estátua de Juana Azurduy, uma militar boliviana que lutou pela independência do território em relação à Espanha.

Ali perto fica a Casa Rosada, famoso prédio de onde governa o presidente da Argentina desde a virada do século 19 para o 20. Bem em frente está a Praça de Maio, assim nomeada por causa da Revolução de Maio de 1810, quando começaram as lutas pela independência da região, que só veio mesmo em 1816. O lugar é palco de celebrações e protestos de todo tipo, como o das Mães da Praça de Maio, mulheres que mostravam cartazes em busca de filhos e netos desaparecidos durante a ditadura militar.

Por falar nisso, esse período, chamado de Guerra Suja, durou de 1976 a 1983 e resultou na morte/desaparecimento de 10 mil a 30 mil pessoas —os números em governos autoritários são, infelizmente, sempre imprecisos.

Os militares, na verdade, já tinham tomado o governo anos antes, em 1955, quando deram um golpe, a Revolução Libertadora, e tiraram Juan Perón da presidência —ele, inclusive, chegou ao poder fazendo parte de um outro golpe, em 1943. Entre generais e apoiadores do regime, ficaram até 1973, momento de rápida democracia, em que Perón voltou a ser eleito. Com sua morte, sua esposa e vice, Isabel, assumiu o cargo, até um segundo golpe, três anos depois.

Alguém que levanta bons debates, sempre com comentários cirúrgicos, sobre governos autoritários e a política internacional é Mafalda, a personagem de tirinhas criada por Quino. E sua estátua foi nossa próxima parada em Buenos Aires. Havia uma pequena fila para tirar uma foto dela ou com ela.

A homenagem à menina questionadora fica próxima ao Mercado San Telmo, prédio que reúne restaurantes de pratos típicos. Lá, comemos choripán, sanduíche com linguiça e outros ingredientes que se tornou comum nas praias de Florianópolis, destino preferido dos argentinos no verão. Ali também saboreamos sorvete de doce de leite, iguaria muita famosa no país. Em outro momento, provamos a parilla, um método de se preparar carne que se assemelha ao churrasco dos pampas gaúchos.

Uma praça bem cuidada e que vale a visita é a praça Lacalle. Além de ser um lugar agradável para se sentar e ver a vida passar, é cercada por prédios grandiosos, como a Escola Presidente Roca e o Teatro Colón, um dos melhores palcos de ópera do mundo.

Um dos endereços que mais queríamos visitar era a livraria El Ateneo Grand Splendid, a filial mais famosa da rede, que possui quase 50 unidades. O prédio, realmente esplêndido, abrigou um teatro de 1919 a 1982 —por alguns anos, também uma rádio— e, desde 2000, recebe gente interessada em livros, café e fotos. O lugar está em praticamente todas as listas de livrarias mais bonitas do mundo.

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As duas partes da série ‘Aventuras Sem Chaves’ trazem relatos e muita informação das viagens por África e Oriente Médio e por Ásia e Oceania

O problema de cidade grande é que é difícil visitar todos os lugares desejados, e deixamos de fora do nosso roteiro o colorido Caminito e o conhecido Cemitério da Recoleta, onde estão os restos mortais de Evita Perón, a segunda esposa do presidente Perón —Isabel, viúva que assumiu o cargo, foi a terceira—, vários chefes do Executivo, artistas e cientistas, inclusive um Nobel de Química.

Mais voltados a passeios diurnos, não fomos a apresentações de tango ou caminhamos pela iluminada avenida Corrientes. Preferimos dormir cedo, já pensando na longa viagem que teríamos pela frente, quando percorreríamos os 3.000 km da Ruta 3 até o Ushuaia, também conhecido como Fim do Mundo.

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