O que você precisa saber
Documentos necessários para entrar com carro
- Identidade (RG, CIN ou passaporte)
- Documento do carro
- Permissão para dirigir (CNH ou PID)
- Seguro SOAT
- Autorização para tráfego de veículo fora do território nacional (caso o veículo seja de empresa, emprestado, financiado por leasing, consórcio ou CDC)
Itens necessários em seu carro
- Extintor de incêndio
- Dois triângulos
- Primeiros-socorros
Para entrar de carro no nosso sexto país da América, o Peru, tivemos que voltar para o Chile (foi a quarta incursão no território), pois estávamos na Bolívia e, preocupados com a dificuldade de abastecimento de combustível, avaliamos ser mais fácil ir direto do Salar de Uyuni para o vizinho chileno, em vez de subir até La Paz e cruzar para o lado peruano. Esse retorno nos proporcionou a experiência de cruzar a fronteira Chacalluta-Santa Rosa, num processo que durou 1h30min.
O complexo migratório fica a 20 km da chilena Arica, e é possível fazer toda a burocracia no mesmo prédio, o que agiliza bastante a vida do viajante. Mas, como estivemos lá num sábado, percebemos o quão movimentado pode ficar.
Há números nas portas, de frente para o estacionamento, de 1 a 5, mas, desafiando a lógica matemática, a primeira seção aonde se deve ir é a 3, a fim de se pegar a declaração de passageiros e preencher a mão as três vias do boleto, com dados do motorista, do carro e dos passageiros.
De acordo com uma marcação no iOverlander, aplicativo colaborativo com dicas de viajantes, é possível, no centro de Arica, encontrar quem preencha esse documento, por 1.000 pesos chilenos (R$ 5,50), mas preferimos fazer por conta e gratuitamente na fronteira.
Com o papel devidamente preenchido, entramos na fila da imigração chilena, na porta 1, para dar saída do país. O oficial do PDI (Polícia de Investigações do Chile, em espanhol) recolheu a tarjeta de turismo, papel com os nossos dados que recebemos quando entramos a partir da Bolívia, e carimbou nossos passaportes brasileiros.
Dali, continuamos dentro do prédio e pegamos outra fila, agora para a imigração peruana, na porta 2. Demorou um pouco mais para chegar a nossa vez, mas mais por causa da demanda, pois os funcionários eram numerosos e bem ágeis. Fomos atendidos juntos, porém a oficial começou por mim.
Quando perguntou se eu já havia visitado o país, titubeei, mas disse que sim, em 2011, no meu mochilão pela América do Sul. Ela confirmou isso no computador e até comentou que eu tinha usado outro passaporte, o que é normal, já que a validade do documento é de dez anos.
Na sequência, a agente quis saber quantos dias pretendíamos ficar no Peru, ao que respondi 45 dias. Ela perguntou qual seria o itinerário e, diante das muitas paradas que citei, nos deu 60 dias no território. Acredito que, caso pedisse 90, ela teria nos dado.
Após carimbar meu passaporte —brasileiros são isentos de visto para o Peru—, passou a fazer a entrada da Pati. Houve, no entanto, um problema para preencher o sistema, pois a Pati esteve no Peru em 2015, com outro documento e antes de se casar comigo e adicionar meu sobrenome ao dela. Assim, a oficial precisou recorrer a uma colega para alterar os dados no computador. Por fim, a peruana conseguiu fazer isso e também deu 60 dias no território. Ao finalizar tudo, ela carimbou os três canhotos e ficou com um deles.
Saímos do prédio e fui checar, na porta 3, se eu precisaria fazer algo lá dentro, mas não era necessário. Como o documento do Teras, nossa Pajero 1998, está no meu nome, entrei na fila da porta 4, da aduana chilena, a fim de entregar o TITV (Título de Importação Temporária do Veículo, na sigla em espanhol, também chamado de TIP no mundo overlander), documento recebido ao entrar no território.
O oficial chileno carimbou as duas vias restantes da declaração de passageiros e fui para a fila da porta 5, da aduana peruana, enquanto a Pati foi para dentro do prédio resolver a burocracia envolvendo o Café, nosso pug de nove anos, no Senasa (Serviço Nacional de Saúde Agrária, na sigla em espanhol).
O agente peruano demorou um pouco mais do que o chileno, mas fez meu CIT (Certificado de Importação Temporária, na sigla em espanhol) e me liberou. Ele também carimbou as duas vias da declaração de passageiros e ficou com uma delas.
Para finalizar todo o processo de fronteira, fui buscar o carro para passar pela fiscalização, enquanto a Pati passava pelo raio-x dentro do prédio. Na teoria, as bagagens devem ser vistoriadas por esse aparelho, enquanto o veículo, vazio, é checado pelos agentes do Senasa, do lado de fora. Como nossos pertences estão espalhados pelo Teras, o funcionário peruano abriu uma exceção e passou o olho pelo interior do carro.
Enquanto o oficial checava a geladeira, ele avisou que era proibida a entrada de produtos frescos (frutas e vegetais) e derivados de porco. Como era sábado, um dia de muito movimento, os dois funcionários não fizeram uma revista rigorosa, como é a prática dos chilenos, e me liberaram.
O ato derradeiro na fronteira foi entregar a terceira via do canhoto para um oficial peruano, na guarita, que confirmou que tínhamos feito todo o protocolo necessário. Assim, pegamos a estrada para Tacna para, depois, revisitarmos nosso grande vizinho andino.













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