GOSTA DE LEITURA DE VIAGEM? TEMOS LIVROS SOBRE ÁFRICA+ORIENTE MÉDIO E ÁSIA+OCEANIA

Viagem de carro pela Bolívia foi marcada pelo belo Salar de Uyuni e por falta de combustível


Descontos

Você ganha desconto e nós também

Chip internacional

20% de desconto com o código SEMCHAVESBR

Cuide de animais e ganhe hospedagem

25% de desconto na 1ª anuidade

Produtos para pets

10% de desconto com o código SEMCHAVESBR

A Bolívia entrou e saiu da nossa viagem de carro pela América algumas vezes, já que o país passa por uma crise política e econômica, o que resultou em muitos bloqueios de estradas e falta de combustível e, consequentemente, de comida no primeiro semestre de 2026. Mas, no fim, visitamos o lugar e nos impressionamos com as paisagens, principalmente com o famoso Salar de Uyuni.

Como acompanhávamos notícias e redes sociais, principalmente grupos de viajantes no WhatsApp, cogitamos fazer uma incursão pelo sul boliviano a partir do norte do Chile —muitas agências de turismo em San Pedro de Atacama fazem passeios por lá. A situação ainda estava bastante tensa, porém, e mudamos o roteiro, elaborando uma ida de Campo Grande (MS), onde passamos duas semanas depois do Paraguai, para Assis Brasil (AC), na fronteira do Brasil com o Peru.

Os relatos dos viajantes sobre o fim dos bloqueios e o abastecimento de gasolina, combustível do nosso Teras, uma Pajero 1998, nos fizeram mudar completamente de ideia sobre evitar a Bolívia e em menos de 48 horas cruzamos a fronteira a partir de Corumbá (MS).


Informações práticas*:
  • Média hospedagem (duas noites em Santa Cruz e quatro noites em Sucre): Bs 168 (R$ 129,50)
  • Média almoço: Bs 137,50 (R$ 92,50)
  • Combustível: Bs 2.011 (R$ 1.386)
  • Pedágio (7): Bs 58 (R$ 39)
  • Visto: brasileiros não precisam de visto
  • Moeda: boliviano (R$ 1 = Bs 1,30)
  • Dica: Informe-se bastante sobre a situação do combustível no país, pois é antiga a prática de postos não venderem para carros estrangeiros. Isso ocorre porque cidadãos bolivianos têm subsídio para abastecer e muitos lugares não querem mudar o sistema de pagamento e, consequentemente, o valor da bomba. Percebemos que a estatal YPFB não tem ressalvas quanto a isso e sempre nos venderam, com preço mais alto e em dinheiro. Falando nisso, estivemos em poucos estabelecimentos que aceitavam cartão como pagamento.

* valores para julho de 2026 para duas pessoas


Rumamos em dois dias para Santa Cruz de la Sierra, a maior cidade do país, com cerca de 1,6 milhão de habitantes, e destino do famoso Trem da Morte, que parte de Puerto Quijarro, na fronteira. Viajamos nele em nossos mochilões pela América do Sul —Faraó em 2011 e Pati em 2015— e, desta vez, pudemos circular pelo lugar. A central Praça 24 de Setembro, onde fica a Catedral Metropolitana Basílica Menor de San Lorenzo, é bastante movimentada e dá vontade de ficar horas por lá.

Após resolvermos um problema no porta-malas do Teras, seguimos viagem para Sucre. Ô lugar cheio de morro! Mas compensa ter falta de ar ao passear pelo centro e ver as muitas casas baixas e brancas. Apesar de ser a capital constitucional e sede do Judiciário —La Paz abriga o Executivo e o Legislativo desde a Guerra Federal de 1899—, é a sexta maior cidade do país, com cerca de 300 mil pessoas.

A região central é relativamente bem pacata, e a Praça de Armas 25 de Maio, então, simboliza o sossego do lugar, com muitas famílias sentadas nos bancos e crianças brincando com os pombos. Por ali estão várias construções importantes, como a Catedral Metropolitana de Sucre, o Museu do Tesouro e a Casa da Liberdade, como é conhecido o Museu Nacional.

Visitamos o prédio e, no ingresso (Bs 50/R$ 26,50), estava incluído um passeio guiado. A senhora que nos conduziu, em espanhol, explicou muito da história boliviana, como a formação indígena (incas no oeste e tribos não-andinas no leste), a colonização espanhola a partir de 1524 e os 16 anos de luta pela independência, iniciada em 25 de maio de 1809. O militar venezuelano Simon Bolívar foi o grande personagem desse processo de liberdade, e o novo território ganhou o nome em sua homenagem.

Nos séculos 19 e 20, o país perdeu parte de suas terras em conflitos com os vizinhos, como o Acre pro Brasil e o litoral para o Chile, e, assim como outras nações da América do Sul, sofreu golpes de estado e passou por uma ditadura militar, de 1964 a 1982. Mais recentemente, de 2006 a 2019, teve como presidente o sindicalista Evo Morales, de esquerda, e, desde o fim de 2025, é governado pelo administrador público Rodrigo Paz, de direita.

Essa troca de posicionamento político no comando do país e a crise econômica pela qual passava o país foram os catalisadores dos protestos no início do ano. Mesmo que o pior já tivesse passado quando estivemos lá, vimos reflexos nos postos de gasolina.

A caminho de Santa Cruz de la Sierra, levamos uma hora e meia para abastecer, e também tivemos problema em Sucre, quando um estabelecimento da estatal YPFB —adotamos essa rede lá, pois atendia estrangeiros, mesmo que com preços sem o subsídio para residentes— estava sem combustível, e a solução foi enfrentar o pesado trânsito da capital e esperar outros 50 minutos para ficar com o tanque cheio.

O marcante Salar de Uyuni

Esse fantasma do desabastecimento nos acompanhou na viagem para Uyuni, onde fica o estupendo salar de mesmo nome. Em Potosí, presenciamos uma fila quilométrica no posto, e isso nos fez seguir com o que tínhamos até o fim do dia. Para a nossa surpresa, mesmo sendo um dos principais pólos turísticos do país, a cidade sofria com falta de gasolina. Esperamos por três horas até a unidade do YPFB receber o combustível e outras três horas para sermos atendidos.

Essa crise afetou nosso roteiro pela região, mas não a ponto de deixarmos de visitar o salar. Antes de irmos para lá, passamos a noite no cemitério de trens, na borda da cidade, onde estão dezenas de locomotivas que tiveram seu auge no início do século 20, quando transportava minérios para o Pacífico. Chegar à noite e sair no início da manhã nos ajudou a evitar outros turistas, pois essa parada está no roteiro das agências de viagem.

De Uyuni, dirigimos por 25 km até o salar, o maior do mundo, com 10.582 km². São de 2 a 10 metros de espessura e uma estimativa de 10 bilhões de toneladas de sal. Não tem estrada por lá, mas o trânsito de 4×4 das agências e de caminhões deixou marcas por onde é possível seguir.

Dormimos ao lado da Praça das Bandeiras e do hotel de sal desativado que fica ali, e o céu à noite é memorável. Sem as luzes da cidade, vê-se incontáveis estrelas. Sem falar no silêncio que impera na região. Definitivamente, um dos lugares mais incríveis que visitamos até agora na América.

Cogitávamos ir à ilha Incahuasi, um oásis 70 km para dentro do salar, mas isso nos obrigaria a reabastecer em Uyuni e, como não queríamos enfrentar outra fila quilométrica, deixamos a atração para o futuro. Por isso evitamos subir até La Paz, que já havíamos visitado em nossos mochilões, e fomos direto para Avaroa, na fronteira com o Chile, para seguirmos viagem ao norte do continente.

Você conhece nossos livros?

Aventuras Sem Chaves – Parte 1

Uma jornada de 14,5 meses por 43 países de África e Oriente Médio contada em relatos e crônicas recheados de dicas e informações

456 páginas | lançado em mar.24 | Editora Comala | 1ª ed.

Aventuras Sem Chaves – Parte 2

A segunda etapa de uma volta ao mundo, passando por 34 países de Ásia e Oceania em 15,5 meses, ilustrada em belas imagens

436 páginas | lançado em dez.25 | Sem chaves | 1ª ed.


Dicas Sem chaves

Já pensou em receber dicas fresquinhas na sua caixa de e-mail toda semana? Inscreva-se na nossa newsletter e conte com informações de quem já viajou por mais de 70 países por África, Ásia e Oceania, além de outros 30 entre Europa e América! Por menos de R$ 3 por semana, receba um conteúdo informativo, participe de uma live mensal exclusiva e ainda ganhe desconto nos nossos produtos e serviços!


Deixe um comentário