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Fronteiras entre Argentina e Chile têm controle sanitário rigoroso e muitos carimbos


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O que você precisa saber

Documentos necessários para entrar com carro

Itens necessários em seu carro

  • Extintor de incêndio
  • Dois triângulos
  • Colete refletor
  • Corrente para as rodas (cadenas), caso circule por estrada com neve

A geografia do fim do mundo, ou da pontinha sul da América, é bem curiosa, e vimos isso de perto quando fomos de Buenos Aires ao Ushuaia, pois, para completar esse trajeto na Argentina, que fizemos pela Ruta 3, tivemos que cruzar o Chile.

Após passarmos alguns dias no Ushuaia, voltamos para o sul do Chile, já que nessa porção de terra fica Puerto Natales e o Parque Nacional Torres del Paine. De lá, pisamos novamente em solo argentino para visitar El Calafate e El Chaltén. Na sequência, atravessamos a Cordilheira dos Andes para o lado chileno e rodamos pela Carretera Austral, em território chileno. Sim, tivemos algumas idas e vindas entre os dois vizinhos e, em comum em todas elas, a simpatia imperou.

Paso Integración Austral

Nossa primeira travessia de fronteira foi em Monte Aymond, no Paso Integración Austral, quando a Ruta 3 argentina virou a Ruta 255 chilena. Para sair da Argentina, precisamos passar pela imigração, onde entregamos os passaportes brasileiros e o documento do Teras, nossa Pajero 1998. Ali, o oficial nos registrou no sistema e carimbou um papelzinho —não os passaportes, infelizmente—, que deveríamos apresentar nos demais guichês.

Na aduana, ou alfândega, mostrei novamente o passaporte e o documento do carro, já que ele está em meu nome. Novo registro e novo carimbo no canhoto. Enquanto isso, a Pati foi ao guichê do Senasa (Serviço Nacional Sanitário e de Qualidade Agroalimentar, na sigla em espanhol) com o seu passaporte e o CVI (Certificado Veterinário Internacional) do Café, nosso pug. Ela apresentou tanto o original quanto uma cópia, que foram carimbadas.

Alguns quilômetros adiante, chegamos ao posto de fronteira chileno, onde fizemos o mesmo périplo. Lá, entretanto, carimbaram nossos passaportes brasileiros. Assim como na Argentina, somos isentos de visto para o Chile e podemos entrar com RG, CIN ou passaporte, e optamos pelo último documento.

Também ganhamos a Tarjeta Única Migratória, um papelzinho do PID (Polícia de Investigações do Chile, em espanhol) com nossos dados, que tivemos que devolver quando saímos do país. Logo, é importante guardar esse documento para não ter problemas burocráticos depois.

Na sequência, fomos à aduana com o documento do carro, e novamente o veículo foi registrado no sistema e o canhoto recebeu um carimbo. Também recebemos o TITV (Título de Importação Temporária do Veículo, na sigla em espanhol, também chamado de TIP no mundo overlander), papel que devemos entregar ao sair do país.

O último guichê era do SAG (Serviço Agrícola e Pecuário, na sigla em espanhol), e a agente nos pediu para preenchermos digitalmente um formulário, necessário para entrar no país —o prédio fornece Wi-Fi para isso.

Como estávamos com um animal de estimação, a funcionária também orientou para que colocássemos que estávamos importando um produto animal —“eu sei que ele não é um produto, mas precisa”, falou. Ao fim do preenchimento, é gerado uma declaração juramentada e um QR Code enviado por e-mail, que deve ser apresentado ao oficial. Voltamos a apresentar o CVI do Café e, após carimbar o original e a cópia, a agente ficou com este último papel.

Já no carro, precisamos passar por um controle sanitário do SAG. O oficial, muito simpático, perguntou se estávamos transportando itens frescos. Como já sabíamos desse procedimento, organizamos nossa alimentação para que não tivéssemos frutas, vegetais ou carnes ao cruzar a fronteira. O sujeito olhou alguns nichos do nosso móvel, a geladeira, a dispensa e até o porta-luvas. Após um rápido carinho no Café, pegou o canhoto e liberou nossa passagem.

Em nenhum momento nos pediram o SOAPEX, o seguro obrigatório semelhante à Carta Verde, exigida nos países do Mercosul. De qualquer maneira, contávamos com essa proteção.

Paso San Sebastián

Após alguns dias na Tierra del Fuego, entre Ushuaia e Rio Grande, voltamos para o Chile, com o objetivo de ficarmos em Puerto Natales e no Parque Nacional Torres del Paine. Assim, passamos novamente pelo Paso San Sebastián, que já havíamos cruzado anteriormente, no sentido contrário.

O trâmite foi o mesmo que da outra vez. No lado da Argentina, passamos pela imigração, com os passaportes brasileiros e o documento do carro. Ali, foi dado o canhoto para colecionarmos todos os carimbos dos dois lados da fronteira.

Na aduana, entreguei novamente o passaporte e o documento do carro e recebemos outro carimbo no canhoto e o TITV. Na sequência, passamos pelo Senasa, e quem faz o controle é um oficial da gendarmeria, que pediu o CVI do Café, tanto o original quanto uma cópia, carimbando os dois papéis.

Dirigimos alguns quilômetros —enquanto na primeira vez esse trecho estava todo esburacado e com alguns pedaços em reforma, agora já estava totalmente recapeado— e chegamos ao prédio chileno.

Lá, iniciamos o périplo, indo primeiramente à imigração. Passaportes brasileiros e documento do carro em mãos, ganhamos o carimbo de entrada no Chile, assim como no canhoto. Depois, fomos ao guichê da aduana, com os mesmos papéis. Também desta vez não nos pediram o SOAPEX, o seguro obrigatório.

Na terceira e última parada, tivemos que esperar um certo tempo pela funcionária do SAG, que estava fiscalizando os veículos do lado de fora. Aproveitamos para preencher o formulário on-line e, assim que ela voltou, após uns bons dez minutos, apresentamos o QR Code.

Na fiscalização do Teras, um pequeno transtorno. Estávamos com uma embalagem de folhas verdes que não havíamos consumido, e o funcionário do SAG confiscou e falou para a Pati se apresentar à mulher que havia checado nosso formulário. Ela pediu para refazer o documento, afirmando que estávamos importando produtos vegetais. Porém, como no questionário a pergunta sobre itens vegetais e animais é a mesma, já tínhamos informado que sim, estávamos importando algo. Foram alguns momentos de idas e vindas para resolver tudo e seguirmos viagem.

Paso Río Jeinemeni

Essa foi a entrada mais conturbada no Chile, pois os funcionários do SAG fizeram a fiscalização mais rigorosa de todas. Pelo menos toda a burocracia foi a mesma das outras vezes.

Quando cruzamos a fronteira num sábado, o oficial da Argentina, no posto logo após Los Antiguos, recebeu nossos passaportes e o documento do carro, registrando tudo no sistema e devolvendo com um canhoto carimbado.

Depois, levei meu passaporte e o documento do veículo —só é necessário o condutor do veículo nesse guichê— para o funcionário da aduana, que também colocou os dados no computador, enquanto a Pati foi com a papelada do Café para o agente da gendarmeria, representante do Senasa. Com tudo nos conformes, voltamos para o Teras e seguimos para o país vizinho.

No prédio do Chile, o oficial registrou nossos passaportes no sistema e os carimbou, assim como o canhoto. Ele também nos deu o papelzinho da Tarjeta Única Migratória. No guichê ao lado, da Aduana, entreguei meu documento pessoal e o do carro, e o sujeito fez a mesma coisa que o colega, colocando todos os dados no computador. Também nos deu a folha do TITV. Mais uma vez não nos pediram o SOAPEX, o seguro obrigatório.

Enquanto esperávamos na fila para sermos chamados, preenchemos o formulário on-line do SAG e, quando chegou a nossa vez de falar com a agente, ela checou os QR Codes gerados. Tudo certo, fomos liberados para a inspeção do veículo. E foi aí que o bicho pegou.

O funcionário do SAG olhou os bancos da frente e, quando viu o nicho do Café, perguntou se estávamos transportando medicamentos para ele, o que respondi que sim. Ele pediu para checar a caixinha de remédios e esse processo levou 40 minutos, no que explicaremos em outro texto o porquê disso tudo.

Enquanto isso, outra funcionária do SAG continuou a inspeção e olhou a geladeira, vazia, e o nicho onde guardamos a comida. Por sorte, ela não perguntou sobre nossa caixinha de remédios, que poderia ficar mais vazia, pois provavelmente seguiria o mesmo protocolo da medicação veterinária —qualquer medicamento precisa de receita com justificativa do seu uso, então nada daquela dipirona para prevenção.

Por fim, fomos liberados e seguimos viagem para Chile Chico, a cidade mais próxima, onde compramos mantimentos para rodar por parte da Carretera Austral.

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