Ouvimos falar muito sobre a Patagônia e suas belezas, mas não esperávamos que fosse tão espetacular assim. A região, que abarca uma grande porção do sul da Argentina e do Chile, é marcada por muitas montanhas, e El Calafate e El Chaltén, no nosso vizinho, são duas cidades que concentram essas paisagens. Entre elas, está a famosa Ruta 40.
Na nossa jornada de Buenos Aires ao Ushuaia, o fim do mundo, rodamos pelos 3.000 km da Ruta 3, que margeia o Oceano Atlântico. Mas é a Ruta 40 que se destaca entre o mundo viajante, a ponto de ter todo tipo de lembrancinha com a placa dessa estrada, mesmo na capital argentina.
São 5.224 km que cruzam a costa oeste do país, cortando 11 províncias, entre La Quiaca, no norte, e Cabo Virgenes, no sul. Inclusive, tiramos foto na placa do km 0, quando fomos à pinguenera por lá, nas cercanias de Rio Gallegos.

Viajamos de Rio Turbio, quando cruzamos a fronteira com o Chile, vindos de Puerto Natales, a Perito Moreno e entendemos o porquê da fama: há muitos quilômetros de rípio/cascalho e buracos, um verdadeiro desafio, ainda mais em época de chuva. Um trecho muito conhecido é o dos 73 Malditos, em que o número se refere à distância em que pedras imperam. Foi ali que perdemos parte do nosso freio. Por sorte, pudemos resolver momentaneamente o problema numa mecânica em Gobernador Gregores, a cidade seguinte.
É uma pena termos que olhar tanto para o asfalto, porque deixamos, por vezes, de admirar a paisagem. Ainda bem que paramos alguns dias em El Calafate e El Chaltén, e assim contemplamos as montanhas da região.
Na primeira cidade, demos sorte de passarmos as noites de frente ao Lago Argentino, sem carros ou pessoas por perto, num silêncio merecido. Na segunda parada, dormimos ao lado da rodoviária –o único lugar em que era permitido pernoitar com um animal de estimação–, mas acordamos com visão total do Monte Fitz Roy. Foi lindo ver o sol batendo ali de manhã.
Com cerca de 23 mil habitantes, El Calafate é bem charmosa. A principal via, a Avenida del Libertador, chama a atenção pelo canteiro central de árvores e pelas agências de viagens e de suvenir, que buscam os muitos turistas que vão atrás da natureza em sua volta.









O passeio mais famoso é o Parque Nacional Glaciares (45 mil pesos argentinos/R$ xx), casa do Glaciar Perito Moreno. Você já deve ter visto imagem de um paredão com mais de 70 metros de altura, com blocos se rompendo, em meio a um som único. A 50 km da cidade, é possível ir com carro próprio e circular por lá –após 1º de Maio, é necessário levar no veículo correntes para as rodas.
Dentro do parque, há alguns caminhos bem demarcados, com escadas ou rampas, além de muitas placas informativas, de onde se pode ver o glaciar de vários pontos. Barcos circulam perto do gelo, mas esse passeio não fizemos. Também é possível caminhar sobre o gelo dos glaciares e, na região, fazer cavalgadas.
Se em El Calafate as montanhas estão ao longe, em El Chaltén basta andar que logo as alcança. A cidade, com 2.000 habitantes, é toda cercada pelo Parque Nacional Glaciares, e por isso mesmo ficamos restritos às suas ruas, pois estamos viajando com o Café, nosso pug de nove anos, e mascotas não são permitidos em parques argentinos.

Como estivemos ali no início de maio, fora da temporada de verão, vimos pouquíssimos turistas e muitos estabelecimentos fechados. São vários hotéis, campings, agências de passeios de olho no estrangeiro. Nós achávamos que o furdunço era no inverno, mas as pessoas visitam a região para caminhar pelas montanhas.
Uma trilha conhecida é a do Monte Fitz Roy, em que os aventureiros saem de madrugada para ver o nascer do sol no pico da pedra, quando o laranja domina o ambiente. Mesmo que não estivéssemos acompanhados de nosso cachorro faríamos um passeio assim. O trekking do Acampamento-base do Everest parece exigir bem menos do corpo e do nosso estado de espírito.
Nas duas cidades, centros de informações turísticas ajudam bastante o visitante, e testemunhamos o empenho do funcionário em El Chaltén para indicar caminhos entre as montanhas para diferentes pessoas. Tudo bem não termos sido aventureiros desta vez, pois, mesmo de carro, pudemos ver a grandiosidade da Patagônia argentina.













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