Depois de carimbar o passaporte do Café, nosso pug de 9 anos, em todos os países do Mercosul e no Chile, era hora de se preparar para alcançar as montanhas andinas no Peru. E sim, ele tem um passaporte oficial, emitido pelo governo brasileiro —é um controle das vacinas e da desparasitação que solicitamos ao Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional) no aeroporto de Florianópolis.
Estávamos no norte do Chile, após a incursão pela Bolívia, e fomos ao escritório do SAG (Serviço Agrícola e Pecuário) em Arica, cidade a 20 km da fronteira e onde havia boas recomendações sobre o atendimento. Traumatizados com o vaivém de informações no norte da Argentina, decidimos passar lá primeiro para saber do órgão oficial os documentos necessários e o prazo para desparasitação.
De fato, a funcionária era muito gentil e nos entregou um papel com as exigências: vacina da raiva aplicada há no máximo um ano, desparasitação interna e externa feita até 30 dias antes da entrada no Peru e certificado de saúde emitido por um veterinário até 10 dias antes da solicitação do Certificado Zoosanitário, como o CVI (Certificado Veterinário Internacional) é chamado no país.
O prazo para emissão era de até três dias úteis, mas a funcionária informou que normalmente fica pronto de um dia para o outro, reforçando que não era nenhuma promessa. Também nos passou o preço do documento, 35 mil pesos chilenos (R$ 225,50), pagos em dinheiro no dia da solicitação, e da taxa de importação do Peru —mais informações abaixo.
Assim, programamos nossos dias na cidade tendo o prazo informado em vista. O plano era ir na quinta ao veterinário, para na sequência fazer a solicitação no SAG, obter o documento na sexta e seguir viagem para o Peru.
Só não contávamos que a quinta, 16 de julho, era feriado, Dia da Virgem do Carmen, padroeira do Chile. Faraó ainda consegui um veterinário que fizesse o exame e a documentação por 20 mil pesos (R$ 112,50, o preço que havíamos cotado em outra clínica), mas o SAG ficou só para sexta mesmo.
Logo que abriu estávamos lá na porta para, com muito carisma, pedir que o documento saísse no mesmo dia, evitando uma estadia prolongada no fim de semana em Arica (estávamos traumatizados com o som alto madrugada adentro na orla da cidade). Entregamos a documentação, a funcionária conferiu e perguntou quando viajaríamos ao Peru. Era a deixa que eu precisava. “Se o documento sair hoje, vamos amanhã. Se não, vamos na segunda-feira.”
Ela, não prometendo nada, ia tentar que ficasse pronto na própria sexta. Deu continuidade à solicitação, nos cobrou o valor, entregou o recibo e pediu para aguardarmos. Em poucos minutos o certificado estava emitido. Com ele em mãos, tínhamos dez dias para entrar no Peru, mas iríamos no dia seguinte mesmo.
Fronteira Chile-Peru
Chegamos à fronteira de Santa Rosa informados das muitas portas para cumprir o processo todo de imigração e da taxa de importação do pet, de S/ 75,10 (R$ 119), que deveria ser paga em dinheiro. Ficamos tranquilos ao saber que recentemente uma casa de câmbio havia sido aberta no complexo, ou seja, conseguiríamos obter os soles necessários.
Só não contávamos (pela segunda vez nessa burocracia toda) que o estabelecimento se tratava do Banco de la Nación e, assim como qualquer agência, não funcionava aos fins de semana, e nós estávamos lá em um sábado.
O controle do Senasa (Serviço Nacional de Saúde Agrária) é feito junto ao raio-x de passageiros e bagagens. O agente fica em uma sala, e é preciso perguntar pelo órgão para indicarem a porta correta. Antes de dar início ao processo, questionei como fazer com relação à taxa, e ele indicou que o Comedor (um restaurante ali no complexo) poderia fazer o câmbio. A simpática caixa do local até trocaria os pesos, mas não dólares. A solução foi pagar no cartão e ela entregar os S/ 75 —eu não vi que eram necessários centavos, mas o agente aceitou a quantia a menos.
O processo de importação no Peru é um pouco diferente do que estávamos acostumados até então. Além da taxa, o Senasa fica com o certificado chileno e emite outro ali na hora, preenchido a mão. No nosso caso, o processo foi rápido e sem complicações.
A última etapa foi a revista do carro, e Café ficou junto do Faraó, enquanto eu fui para a área de passageiros. O oficial do Senasa que verificou o Teras, nossa Pajero 1998, perguntou se tínhamos feito o processo de importação e conferiu a documentação. Tudo certo, e caminhos liberados para o sexto país do nosso pug viajante.













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