O que você precisa saber
Documentos necessários para entrar com carro
- Identidade (RG, CIN ou passaporte)
- Documento do carro
- Permissão para dirigir (CNH ou PID)
- Seguro SOAT
- Autorização para tráfego de veículo fora do território nacional (caso o veículo seja de empresa, emprestado, financiado por leasing, consórcio ou CDC)
Itens necessários em seu carro
- Extintor de incêndio
- Dois triângulos
- Primeiros-socorros
A entrada no nosso último país da América do Sul, a Colômbia, era para ser simples, mas a fronteira com o Equador é um tanto quanto confusa e o formulário on-line da Dian (Direção de impostos e alfândega nacional, na sigla em espanhol), a alfândega colombiana, para quem viaja de carro é burocrático e cheio de detalhes. Ao menos o país não exige visto de brasileiros.
O Equador passou um bom período com suas fronteiras fechadas, do fim de 2025 até o início de julho, deixando apenas duas abertas, uma com o Peru e outra com a Colômbia. Mesmo que tenhamos cruzado de um país ao outro em setembro, ainda assim fomos pela Ponte Internacional de Rumichaca, a que estava liberada durante o ano todo.
Já sabíamos, pelos relatos no iOverlander, que a fronteira é tumultuada, com muita gente oferecendo chips de celular, troca de dinheiro, transporte para a próxima cidade e seguro Soat, obrigatório para quem entra na Colômbia —fizemos a apólice antes, por WhatsApp. Nada novo para quem viajou por 13 meses pela África e enfrentou o caos de Rosso, entre Mauritânia e Senegal.
O problema é que o prédio do Equador não é muito chamativo e, quando vimos, já estávamos diante da placa de boas-vindas à Colômbia. Logo retornamos e o militar que nos parou explicou como fazer a burocracia de saída do país.
A imigração de entrada e saída é a mesma, e isso nos tomou bastante tempo, pois várias pessoas na nossa frente estavam com alguma pendência burocrática. Quando fomos atendidos, os funcionários apenas nos perguntaram se estávamos com veículo próprio e nos orientaram a ir à alfândega equatoriana.
Lá, o agente pediu a declaração para ingresso de veículo particular de turismo, que eu havia recebido quando entramos no país. Na sequência, foi comigo checar se as informações batiam com a do Teras, nossa Pajero 1998. Como tudo estava certo, voltamos ao guichê, ele carimbou o documento e sugeriu que eu tirasse uma foto, já que o papel ficaria ali. Todo o processo, entre imigração e alfândega, levou 30 minutos.
Entrada na Colômbia
Cruzamos a ponte e estacionamos entre o prédio da imigração e o da alfândega. No primeiro, pegamos uma curta fila para sermos atendidos pela oficial, que perguntou profissão, telefone, quanto tempo pretendíamos ficar e um endereço.
Quando entramos no país, tínhamos apenas uma reserva de hospedagem, em Cartagena, para dali 25 dias. Como fui o primeiro a falar com a agente, expliquei que estávamos viajando com uma casa rodante —como motorhome/campervan são chamados em espanhol. Pedi 90 dias e ela concedeu, carimbando meu passaporte.
Enquanto a Pati era atendida pela mesma oficial, fui para o prédio do lado iniciar o processo de importação do veículo na Dian. A funcionária logo me mostrou as folhas coladas na porta, que explicavam a sequência de passos no site oficial para fazer a importação temporária de meios de transporte de turistas. O prédio fornece Wi-Fi.
Como eu já havia lido no iOverlander que o formulário exigia alguns documentos em PDF (com menos de 2MB), converti o que era possível na estrada. São necessários:
- Passaporte
- Carimbo de entrada na Colômbia
- Documento do carro
- Carteira de habilitação (utilizei a PID)
- Foto do chassi
Ao cadastrar seu veículo, é fundamental criar corretamente o perfil, pois essas informações não podem ser alteradas. Foi aí que eu fiz errado e precisei recriar tudo. No campo de identificação do meio de transporte (VIN ou Serial), eu coloquei a placa do Teras, e o certo seria o chassi do carro. Na minha segunda tentativa, pus um O (o maiúsculo), e não um 0 (zero), e isso gerou outro erro. Só na terceira vez eu consegui fazer tudo certo. Pois é.
Ao criar o perfil, o site envia um código para seu e-mail, a fim de confirmar que ele está certo. O formulário tem três páginas: na primeira, devemos preencher os dados do viajante; na segunda, do veículo; e na terceira, anexar os PDFs. A Dian disponibiliza um manual de como preencher o site.
Na primeira página, além dos dados do viajante, como nome, nacionalidade e passaporte, é preciso informar as datas e as fronteiras por onde está entrando e por qual pretende sair, quantos dias de permanência no território a imigração deu e a cidade e o endereço onde ficará. No nosso caso, coloquei o de Cartagena, mesmo que fosse para dali 25 dias.
Na segunda seção, pedem a marca, o número de documento da propriedade (coloquei o Renavam), a data de matrícula, o chassi, o número do motor, o país e o número de matrícula (também coloquei o Renavam), dentre outros dados. Há ainda dois campos para escrever as características do veículo (pus marca, cor e combustível) e informações que o individualizam (descrevi os itens que estão no teto do Teras, como a barraca e os galões de água e de combustível).
Por fim, na terceira e última página, é hora de anexar os arquivos em PDF. Enquanto eu preenchia o formulário pela segunda vez, a funcionária foi conferir se os dados batiam com o veículo.
Após eu fazer todo o procedimento corretamente, ela pediu meus documentos físicos (passaporte, habilitação e documento do carro) para tirar cópias e ficou um tempo mexendo no computador, para então imprimir e assinar uma permissão de importação temporária do Teras.
Assim, após 1h30min, estávamos liberados para entrar na Colômbia. Já passavam das 18h, e a Pati viu, quando entrou no prédio da Dian, que a polícia estava revistando os veículos, procedimento que não aconteceu com a gente.
Ipiales fica a poucos quilômetros do prédio da fronteira e logo pegamos o trânsito do fim do dia. Algo que nos surpreendeu na cidade foi ver dois postos de combustível da Primax, rede forte também no Peru e no Equador, fechados. Um terceiro estava aberto, mas com uma grande fila. No dia seguinte, a cena se repetiu. Ficamos tensos, acreditando que os problemas enfrentados na Bolívia aconteceriam aqui também.
De acordo com duas moradoras da cidade, isso é reflexo do subsídio estatal no início do mês, que diminui o preço do combustível, o que incentiva as pessoas a encherem o tanque. Aparentemente, isso afeta a disponibilidade de gasolina e diesel nos primeiros dias, para então tudo voltar ao normal. De qualquer maneira, assim que pegamos a estrada vimos que a fila não se repetia nas próximas cidades. Ainda bem, pois pudemos circular sem sobressaltos pelo interior da Colômbia.














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