O Paraguai, infelizmente, não tem uma boa fama entre os brasileiros, principalmente pela suposta origem duvidosa dos produtos vendidos no território. Realmente, há muita coisa barata por lá, mas isso seria natural para nós, após viajarmos de carro pelos caros Uruguai, Argentina e Chile. De qualquer maneira, as paisagens paraguaias fizeram valer a pena incluir o país em nosso giro pela América.
A rota mais comum para quem viaja do Ushuaia, na Argentina, ao Alasca, nos Estados Unidos, não costuma incluir o Paraguai, já que é um desvio considerável. E esse é justamente um dos motivos que nos incentivou a visitá-lo, já que pouco se fala sobre esse vizinho e seus encantos. Além do mais, queríamos ver novamente a família do Faraó, que vive em Campo Grande (MS), e passar pelo território paraguaio fazia todo o sentido.
Informações práticas*:
- Média hospedagem (três noites em Assunção): 162 mil Gs (R$ 140)
- Média almoço: 127 mil Gs (R$ 107)
- Combustível: 1,39 milhão Gs (R$ 1.171)
- Pedágio (7): 88,9 mil Gs (R$ 76,50)
- Visto: brasileiros não precisam de visto
- Moeda: guarani paraguaio (R$ 1 = 1.161 Gs)
- Dica: A depender do produto, realmente vale a pena comprar no Paraguai, principalmente eletrônicos e pneus, o que fizemos. Mas é bom ficar de olho na cotação aplicada na forma de pagamento, e dólar em espécie sai mais vantajoso, além das normas para importação de produtos.
* valores para junho de 2026 para duas pessoas
Assunção, a capital
É por isso que, após passarmos alguns dias em San Pedro do Atacama, no Chile, cruzamos o norte da Argentina e entramos, via Clorinda, em Assunção, a capital paraguaia. A cidade possui em torno de 460 mil habitantes, mas conta com uma área metropolitana enorme, de cerca de 2,3 milhões de pessoas.
Infelizmente, a capital, criada em 1537 —a segunda mais antiga da América do Sul, perdendo apenas para Lima, no Peru—, tem tanto charme quanto buraco, e o asfalto ruim não ajuda em nada o trânsito confuso. E isso mesmo em bairros mais requintados, como o Las Lomas, dos grandes shoppings del Sol e Paseo la Galería.
Sem surpreender ninguém, os prédios históricos se concentram no centro, e há totens em vários deles, guiando um passeio pela região. Nos chamou a atenção o quadrilátero formado por quatro praças: dos Heróis, da Liberdade, da Democracia e Juan E. O’Leary. Por ali, ficam várias barracas com lembrancinhas e artesanatos, além do Panteão Nacional dos Heróis, em homenagem a importantes nomes da formação paraguaia.




Entre eles, os López. O pai, Carlos Antonio López, chegou ao poder em 1841 e declarou a independência do Paraguai no ano seguinte, modernizando o país e abrindo a economia para o comércio estrangeiro. Quando morreu, em 1862, seu filho mais velho, Francisco Solano López, assumiu o comando e passou a controlar todas as exportações, como a da erva-mate, um dos principais produtos locais.
Ele também investiu na defesa do país, e foi durante sua gestão que aconteceu a Guerra do Paraguai —como é ensinado em nossas escolas— ou Guerra contra a Tríplice Aliança, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai, de 1864 a 1870. Solano López queria expandir seu território e fez algumas incursões nos vizinhos, gerando o enorme conflito na América do Sul. Como resultado, metade da população paraguaia morreu, sem falar que o país perdeu de 25% a 33% de sua área.
Não muito longe do Panteão estão o Centro Cultural da República, a Praça de Armas e a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunção. Em frente a ela fica o Lido Bar, com um bom cardápio de pratos típicos. Num domingo de sol, provamos sopa paraguaia, mandi’o chyryry, empanada com massa de mandioca e chipa guasu, o nosso preferido.
As cidades da fronteira
De Assunção rodamos por cerca de 330 km de retas e planícies até Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Assim que chegamos, já vimos o furdunço que é a região da Ponte Internacional da Amizade, com lojas de tudo que é produto, comerciantes circulando de um lado para outro com caixas e trânsito pesado. Nos lembrou muito a rua paulistana 25 de Março em época de feriado.
Não muito longe fica o enorme Shopping China, com três andares de produtos e outros três de estacionamento gratuito. Bem mais tranquilo andar por ali. A grande praça de alimentação —um andar só para ela— ajuda a aliviar o estresse das ruas. E sim, os produtos por lá, principalmente os eletrônicos, são mais em conta que no Brasil. Sem falar que muitos atendentes falam português.
Até tentamos atravessar a Ponte Internacional da Amizade duas vezes, mas no primeiro dia havia uma fila enorme de caminhões, o que poderia durar 4 horas, e no segundo alguns sujeitos, enquanto aguardávamos o trânsito pesado, falaram que havia fiscalização do lado do Brasil e nossos pneus comprados em Assunção poderiam chamar a atenção. Como já estava meio tarde para irmos até as Cataratas do Iguaçu, resolvemos mudar os planos e antecipar a visita a outra atração da natureza.

A cerca de 10 km do centro de Ciudad del Este fica Saltos de Monday, uma catarata fortíssima. É possível chegar bem perto da água por meio de um elevador panorâmico, e o complexo (72,6 mil Gs/R$ 63) conta com loja de lembrancinha, café e restaurante. Estava bem vazio quando o visitamos, no feriado de 12 de junho, no Dia da Paz do Chaco. A data marca o fim da Guerra do Chaco (1932-1935), entre Bolívia e Paraguai.
Se em Assunção nos hospedamos em um apartamento antigo (162 mil Gs/R$ 140), na fronteira com o Paraná ficamos na região metropolitana de Ciudad del Este, em Hernandarias, no camping do Parque Tacuru Pucu. Gratuito, o lugar disponibiliza água, energia, banheiros com ducha e quiosques com churrasqueira e pia, além de uma praia de água doce, do Rio Paraná. Pode-se ficar lá por oito dias, após fazer o cadastro na recepção, das 7h às 15h.


A próxima cidade que visitamos foi Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS). Nos 605 km que dirigimos, passamos por muitos vilarejos com forte presença de brasileiros, além de várias fazendas. Mais próximo do destino, nos surpreendemos com alguns cerros (montes), que destoavam das planícies por onde tanto rodamos.
Enquanto Ciudad del Este é separada da vizinha Foz do Iguaçu por um rio, aqui pode-se cruzar a fronteira ao atravessar a rua. E é impressionante a diferença entre os dois lados. Na parte paraguaia, muitos buracos e vias estreitas. Já na região brasileira, asfalto bom e espaço para os carros. Também estivemos no Shopping China de Pedro Juan, bem menor que a outra unidade, mas com uma variedade grande de produtos.
Após rodarmos por parte do Paraguai e vermos de perto sua natureza e história, passamos a torcer para que mais brasileiros incluam o país em sua lista de viagem a turismo, e não só de compras. A hospitalidade paraguaia merece ser conhecida por mais gente.













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